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Afonso I
1456 a 1545
Católico
Congo/República Democrática do Congo/Angola

Manikongo Afonso I, o grande rei do Congo, reinou de 1506 a 1545. Negociou com os portugueses para levar o cristianismo ao Império - que se localizava na área atualmente ocupada por Angola, Congo e Zaire - e foi o primeiro rei africano a ser reconhecido na Europa. Finalmente, no entanto, ele não foi capaz de conter os portugueses, que desejaram desenvolver o comércio de escravos.

Afonso ao nascer recebeu o nome de Mvemba Nzinga e era filho de Manikongo - o rei - do Congo, que em 1482 realizou o primeiro contato com os portugueses. Mvemba converteu-se ao catolicismo, adotando o nome Afonso. Quando seu pai, Nzingu Kuwu (João I), voltou-se para a religião tradicional do Congo, Afonso recebeu os missionários expulsos na província que governava. O sistema político do Congo possibilitava a eleição aberta de um sucessor entre os descendentes do primeiro rei. Após a morte de seu pai, o irmão não-cristão de Afonso tentou negar-lhe a eleição, mas Afonso o venceu em batalha e tomou o trono. Atribuiu sua vitória à intervenção divina, inspirado por uma visão de Santiago Matamoros (Santiagoo Apostolo), que foi também o símbolo da vitória do cristianismo sobre os muçulmanos durante as cruzadas na Espanha e em Portugal.

Afonso estabeleceu relações com o rei Manuel de Portugal visando o benefício de ambos os países. Manuel forneceu missionários e profissionais qualificados para o Congo; Afonso concedeu privilégios comerciais aos portugueses. Em sua política interna nacional, Afonso buscou um rumo progressista, construindo escolas, estradas e estimulando o desenvolvimento.

Os portugueses tornaram-se um problema crescente para o reino. Muitos dos arquitetos, doutores e farmacêuticos passaram a dedicar-se mais ao comércio que às suas profissões. Ignoraram as leis do Congo e, em 1510, Afonso teve de solicitar que Portugal enviasse um representante especial com autoridade sobre seus compatriotas. Manuel respondeu com um plano ambicioso para a ocidentalização da sociedade do Congo em troca de marfim, cobre e escravos. Afonso rejeitou a maior parte do plano, porém a expansão do tráfico escravista apresentou desafios graves à estabilidade do Congo. Afonso não repudiara o escravismo em princípio, mas em 1526 publicou um decreto para regulamentar e moderar a atividade.

Inicialmente, a escravidão limitava-se a prisioneiros de guerra, que eram suficientemente numerosos em decorrência das diversas batalhas locais e das contínuas disputas de fronteira. Formou-se uma comissão para que ninguém fosse seqüestrado e escravizado, porém logo quase todos os portugueses, incluindo os missionários, empreenderam viagens até os confins do interior, e os profissionais portugueses esperavam receber pagamento em forma de escravos. Em torno do ano de 1530, os comerciantes de escravos tinham contatos na Ilha de São Tomé, uma colônia alem mar, cujo monopólio comercial real era exercido por Manuel. Devido ao fato de que São Tomé sofria prejuízo com as ligações sólidas entre Congo e Portugal, realizou todos os esforços possíveis para sabotar essas relações.

Os portugueses foram equivocadamente convencidos de que o Congo possuía vastas riquezas minerais, reservadas pelo rei para uso próprio. Em 1540, eles trataram de assassinar Afonso no Domingo de Páscoa enquanto assistia à missa, e ele escapou por pouco.

Afonso promoveu o cristianismo diligentemente, destruindo os símbolos religiosos tradicionais e construindo igrejas e escolas, mas os poucos missionários que enviou provaram ser preguiçosos, corruptos e mercenários; eles adotavam concubinas e viviam como integrantes da nobreza. Os demais portugueses foram também péssimos exemplos da nova fé, participavam de orgias regadas a álcool e praticavam furtos. Em 1529, e novamente em 1539, Afonso apelou ao papa por uma intervenção contra os abusos portugueses, mas não recebeu ajuda. Ele enviou homens jovens talentosos para que recebessem educação em Portugal. Entre eles estava seu filho Dom Henrique, que foi consagrado bispo em 1518. Essa tentativa de desenvolver um clero nativo fracassou, embora Dom Henrique tivesse retornado ao reinado. Apesar das dificuldades e do comportamento escandaloso dos portugueses o reinado, ainda assim, tornou-se lenta e parcialmente cristianizado.

Quando Afonso morreu, houve um conflito dinástico e seu sucessor imediato, Pedro I, foi derrubado e substituído por um neto, DIOGO I. O Congo manteve-se, ao menos nominalmente, cristão ao longo de um século, mas os sinais auspiciosos da parceria entre África e Europa nas relações internacionais foram abalados pelos portugueses, que iniciaram uma expansão implacável do comércio de escravos.

Norbert C. Brockman


Bibliografia:

Mitchison, Naomi. African Heroes. New York: Farrar, Straus, & Giroux, 1969 (young adult).
Dictionary of African Biography. Algonac, MI, and New York: Reference Publications, vol. 1, 1977; vol. 2, 1979.
Lipschutz, Mark R., and R. Kent Rasmussen. Dictionary of African Historical Biography. 2nd edition. Berkeley: University of California Press, 1986.
Encyclopedia of World Biography. Palatine, IL: Heraty, 17 volumes, 1973-1992.

Leitura adicional:

M'Bokolo, Elikia. Affonso Ier, le roi chrétien de l'ancien Congo (Affonso I, O Rei cristão do antigo Kongo, 1975).



Este artigo é reproduzido, com autorização, de An African Biographical Dictionary, copyright © 1994, editado por Norbert C. Brockman, Santa Barbara, Califórnia. Todos os direitos reservados.