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Malula, Joseph
1917 a 1989
Católico
República Democrática do Congo

O cardeal Joseph Malula, paladino moderno que liderou a Africanização da Cristandade, teve a árdua tarefa de liderar a Igreja Católica no Congo ao longo da crise da descolonização.

Após ser educado no Grand Séminaire em Kabwe, Malula foi o primeiro pregador africano nomeado para a capital, Léopoldville (atualmente Kinshasa), onde foi confrontado diretamente com o paternalismo dos missionários belgas. Em 1952 inaugurou círculos de estudo para conscientizar os fiéis e compensar a negligência quase total dos belgas com relação à educação superior dos africanos. A partir deste movimento surgiram muitos políticos pós-coloniais e vários ministros governamentais. Em 1958, Malula tornou-se o reconhecido líder do clero negro após uma pregação em Léopoldsville sobre o lugar da igreja na sociedade congolesa. Foi nomeado bispo auxiliar no ano seguinte, exatamente a tempo de comparecer ao Concílio Vaticano, onde se tornou rapidamente o porta-voz da África francófona. Em 1964 foi nomeado arcebispo de Kinshasa e, em 1969, tornou-se cardeal.

Malula, um progressista convicto, teve atritos tanto com o governo quanto com a igreja. Ele condenou o conflito étnico como o "flagelo da África" e defendeu os direitos da mulher em uma pregação notória na qual denunciou àqueles que as reduziam a "escravas ou instrumentos de luxúria". Após a crise persecutória e destrutiva que sobreveio à independência, ele iniciou seu grande trabalho - a Africanização do Catolicismo-, um programa ao qual denominou "autenticidade." Começou a substituição das formas ocidentais de culto e das idéias e abordagens européias pelas de matriz africana.

Por volta de 1970, o temperamental ditador MOBUTU Sese Seko impôs ordem no caos do Congo e iniciou um programa de unidade nacional. O país alterou seu nome para Zaire, e Mobutu então abandonou seu nome cristão e exigiu que todos os cidadãos fizessem o mesmo e se rebatizassem. Denominou o seu programa como authenticité, um termo que adotou de Malula. Quando Mobutu começou a colocar grupos da juventude de seu partido nas escolas e seminários católicos, Malula liderou a oposição. A questão dos nomes cristãos tornou-se simbólica, pois para Malula a verdadeira questão era o despotismo de Mobutu. Na presença do rei Baudouin da Bélgica, Malula pregou contra Mobutu; ele publicou em seguida uma carta pastoral denunciando a política governamental. A resposta de Mobutu foi imediata e extrema: todas as escolas religiosas foram confiscadas e a educação religiosa foi proibida. Os festivais religiosos foram banidos e os feriados religiosos foram excluídos. A vida de Malula foi ameaçada e sua casa foi saqueada. Malula recorreu ao exílio na Universidade da Louvaina, na Bélgica, em 1972, deixando as negociações a cargo dos diplomatas. Retornou após feitos alguns acordos e voltou suas energias para a Africanização da igreja.

Quando retornou, dois projetos o absorveram: criar uma liturgia verdadeiramente africana e manter um Conselho Africano para definir os rumos do catolicismo no continente. Alcançou sua meta primária brilhantemente. Seguindo cuidadosamente as diretrizes do Conselho Vaticano e utilizando os melhores consultores acadêmicos, Malula produziu um rito que foi além da mera introdução de estilos de músicas ou vestimentas locais e redefiniu radicalmente o estilo e o impacto da Missa Católica. A resistência de Roma foi superada com a concessão secundária de que não seriam utilizadas peles de leopardo como vestimentas. A incorporação da dança, dos tambores falantes e da literatura africanos foi mais surpreendente. Ao visitar Kinshasa em 1980 e 1985, o Papa João Paulo II participou das celebrações utilizando os novos rituais.

Malula sonhou com o fim do celibato para clérigos, porém quando Roma proibiu até mesmo a discussão dessa opção, ele fortaleceu o papel existente dos catequistas leigos - presbíteros religiosos locais. Os oficiais do Vaticano o consideravam suspeito, mas o papa o nomeou co-presidente do sínodo de 1985 como um sinal de seu apoio pessoal. Contando com um conselho continental, Malula queria enfrentar e solucionar a questão da cristandade e da identidade africana. No entanto, a sua influência entre os bispos africanos foi reduzida com o aumento massivo de bispos nativos escolhidos por João Paulo II. O papa aprovou apenas um sínodo de bispos africanos, utilizando uma agenda elaborada pelo Vaticano. O sínodo foi controlado por Roma em 1994.

Norbert C. Brockman


Bibliografia:

Dickie, John and Alan Rake. Who's Who in Africa. London: African Development, 1973.
Ewechue, Ralph (ed.). Makers of Modern Africa. 2nd edition. London: Africa Books, 1991.



Este artigo é reproduzido, com autorização, de An African Biographical Dictionary, copyright © 1994, editado por Norbert C. Brockman, Santa Barbara, Califórnia. Todos os direitos reservados.