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Gidada Solan
n.1899 f. 1977
Presbiteriano
Etiópia

Esta é a história de um homem cego que serviu fielmente a Deus. Seja como mendigo, estudante, evangelista, professor, prisioneiro, ministro ou ancião da Igreja, Gidada fez tudo com humildade e confiança em Deus.

Gidada nasceu de pais do povo Oromo, numa pequena vila de Aleqa Sotelow próximo de Dembi Dollo, no altiplano das montanhas do oeste da Etiópia. Seus pais o chamaram de Gidada, o que significa: "Aquele que chora pelo povo." Na idade de cinco anos ficou cego devido a uma epidemia de varíola que se espalhou pelo oeste da Etiópia eliminando grande parte da população incluindo sete irmãos e irmãs de Gidada. Seus pais aplicaram várias poções nos seus olhos seguindo recomendações dos curandeiros tradicionais, mas nada adiantou para recuperar a sua visão. Gidada tornou-se um mendigo.

Em 1919 o Doutor Thomas Lambie chegou à vila de Sayo a convite do Governador Qellem, Birru Wolde Gabriel, para fazer o atendimento médico de centenas que estavam morrendo de gripe. Em 1920 o cego Gidada foi o primeiro convertido do médico missionário americano.

Logo após a conversão de Gidada ele mostrou um grande desejo de aprender. Por volta de 1922 a sua mente sagaz tinha memorizado grande parte das passagens das escrituras na língua América. Ele também aprendeu inglês na missão americana com Fred Russell e Bruce Buchanan. Em 1924 Gidada conheceu a escrita Braille. Aprendeu a ler em Amárico, Oromifa e Inglês. Isto abriu todo um novo universo para ele. Agora ele poderia ler por si mesmo a Bíblia, tanto o Velho como o Novo Testamento que se tornou um livro vivo para ele. Ele agora tinha um zelo ardente de compartilhar com outros a sua nova vida em Cristo e o que tinha lido nas Escrituras. Em 1924 ele casou-se com Dinse Sholi. Seus dois primeiros filhos faleceram logo após o nascimento. Para apaziguar a tristeza do casal a filha Rahel nasceu em 1927, trazendo muita alegria especialmente para Dinse. Mais tarde dois filhos, Solomon (1935) e Negaso (1941) nasceram. Estes dois homens fizeram contribuições significativas para a Etiópia como servidores públicos. O Dr. Solomon serviu como embaixador etíope em Londres de 1992 a 1998, e o Dr. Negaso foi eleito presidente da Etiópia de 1996 a 2000.

Bruce Bachanan teve um papel significativo no treinamento de Gidada em evangelismo. A sua primeira tarefa evangelista foi numa estação de pedágio entre Sayo e Gambella. Ele tinha uma audiência cativa já que todos os dias cerca de cinqüenta comerciantes de café eram parados para pagar os seus impostos em Buka Badessa antes de descer o escarpado no seu caminho a Gambella. Outros cinqüenta transportadores de sal paravam para descanso na sua viagem de regresso para as montanhas de Wellega. Em 1930 junto com um jovem que era seu guia, ele começou um trabalho evangelístico no distrito de Sayo. A sua pregação o fez entrar em confronto com os qallichas locais (curandeiros), cada um deles possuído por um espírito diferente. Gidada visitava pessoalmente cada um destes qallichas e lia na sua Bíblia em Braille alguns versículos sobre o poder de Jesus que morreu e ressuscitou dos mortos. Em 1940 havia dez Igrejas Evangélicas Bethel estabelecidas e de 1955 a 1965 Gidada e a sua esposa e os filhos jovens foram transferidos para Mizan Teferi para auxiliar a Missão Americana na evangelização dos religiosos tradicionais do grupo étnico Bench. Nas suas viagens em lombo de mula através da densa floresta de uma vila Bench para a outra, centenas de pessoas ouviram o Evangelho e responderam.

Em 1940 Gidada e vários colegas de ministério Cristão de Sayo foram presos pelos italianos. A acusação contra Gidada é que ele era um espião britânico, já que ele recebia correspondências regularmente num código especial que somente ele podia ler. E as cartas que ele respondia para a Inglaterra também estavam em código. Como resultado eles foram amarrados e carregados num caminhão italiano como criminosos. Depois de várias semanas viajando por estradas com muita lama, eles finalmente chegaram à prisão de Addis Ababa. Depois de oito dias na tumultuada prisão, foram enviados para Jimma para mais interrogatórios. Dois colegas de Gidada foram cruelmente espancados, quase até a morte, por três dias seguidos. Depois foi a vez de Gidada enfrentar os interrogatórios e os espancamentos. Quando lhe perguntaram por que tinha se tornado um inimigo dos italianos ele respondeu: "Como vocês podem ver eu sou cego. Eu já lhes disse que sou um cristão e um evangelista no trabalho do Senhor. Por servir o Senhor eu me torno um inimigo do governo?" Gidada foi enviado para a sua cela sem ser espancado. Quando o exército britânico libertou o sudoeste da Etiópia em 1941, Gidada e seus amigos saíram da prisão em Jimma e felizes retornaram o seu ministério em Sayo.

A perseguição entre 1951 a 1955 enfrentada pelas congregações de Sayo dentro da Igreja Evangélica Bethel surgiu de uma fonte inesperada da Igreja Ortodoxa Etíope (IOE). Quando a Missão Americana entrou na Etiópia em 1919, a sua meta era trabalhar em conjunto com a igreja estatal Etíope e não estabelecer congregações independentes que competissem com a IOE. Mas durante a ocupação italiana do sudoeste da Etiópia de 1936 a 1941, a IOE da região de Qellem foi debilitada. Por outro lado, a pregação de Gidada e de outros evangelistas era sem dúvida boas notícias para a população de Oromo que estava aflita pela opressão espiritual dos qallichas, que demandavam muito do povo, mas davam poucos benefícios em troca. Por volta de 1951 o número de congregações locais chegava a vinte e a maioria delas com a sua escola correspondente. O crescente movimento evangélico era visto pela IOE como uma igreja concorrente, portanto começaram sistematicamente a prender os seus líderes e fechar as igrejas. Gidada novamente foi posto na prisão, não pelos colonialistas estrangeiros, mas pelos cristãos etíopes. Quando saiu da prisão ele apelou pela corte local exigindo a reabertura das vinte igrejas, mas não foi atendido. Depois de vários meses Gidada e outros líderes evangélicos foram até Addis Ababa para apelar contra o Imperador Haile Sellassie. O imperador ouviu o caso deles e depois de um logo atraso, dez das vinte igrejas foram reabertas.

Quando o pessoal da Missão Americana na Etiópia estava no processo de ser expulso pelos italianos da Etiópia, perceberam que não haviam pastores etíopes ordenados para continuar o ministério oficial da igreja na região de Sayo. O Dr. Henry sugeriu à Igreja em Dembi Dollo que escolhesse alguém da congregação para viajar à Addis Ababa e fazer um breve curso de preparação para ordenação. Foi decidido que Mamo Chorqa e Giadada Solan fossem ordenados. Em julho de 1938 a congregação escolheu mamo Chorqa a ser o primeiro para viajar à Addis Ababa em 1939 e Gidada Solan era o segundo na lista. A ordenação de Mamo Chorqa ao ministério Presbiteriano aconteceu em circunstancias insólitas depois de quatro semanas de instrução pelo D.C. Henry. Em setembro de 1938, o Dr. Henry convidou a Gidada Solan para vir até Addis Ababa para a sua ordenação. Isso aconteceu em 24 de fevereiro de 1939. Sendo que D. C. Henry foi ordenado sob a autoridade do Presbitério de Allegheny em Nova Iorque, este Presbitério concordou em validar a ordenação tanto de Mamo Chorqa como de Gidada Solan. Estes pastores etíopes ordenados foram então aceitos como membros do presbitério de Allegheny "sob circunstâncias extraordinárias". Ambos pertenceram ao Presbitério de Allegheny até 1947, quando a Igreja Evangélica Bethel, então com 150 congregações, tornou-se uma Igreja Etíope Independente com liderança nacional mantendo a doutrina e os estatutos da Igreja Presbiteriana Unida.

No fim do longo ministério de Gidada ele era reverenciado como ancião e líder cristão. Quando o Imperador Haile Sellassie retornou vitorioso à Addis Ababa em 1941 depois da derrota dos italianos Gidada fez uma viagem longa e árdua de Sayo até Addis Ababa para dar as boas-vindas ao seu soberano. Dez anos depois, quando a IOE fechou as Igrejas Evangélicas no oeste da Etiópia, foi novamente Gidada quem viajou para Addis Ababa para fazer um apelo diretamente a Haile Sellassie. Quando Gidada servia como evangelista e pastor na região de Mizan Teferi (num raio de trinta quilômetros ao redor de Mizan Teferi) em 1957, a igreja Maji, a uns cem quilômetros ao sul o chamou para reconciliar duas facções da igreja Bethel.

A maior experiência de Gidada como ancião e líder cristão foi representar a Igreja Evangélica Bethel acompanhado pelo seu filho Solomon na Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana Unida que aconteceu em Pittsburgh em 1957. Ele se dirigiu ao plenário da Assembléia com membros de todos os continentes com as seguintes palavras: "Glória ao Senhor que fez os céus e a Terra, quem pelo Seu poder trouxe a todos nós aqui. Ele nos fez um pelo sangue do Seu Filho, Jesus Cristo." No culto de encerramento com Santa Ceia da Assembléia na noite antes que Gidada e seu filho Solomon partissem dos EUA para a Etiópia, Gidada "o que chora pelo povo" chorou de alegria. Privado da visão, como era ele experimentou a comunhão da Igreja Mundial ao juntarem as suas mãos e seus corações.

E. Paul Balisky


Bibliografia:

Gustav Aren, Envoys of the Gospel in Ethiopia: In the Steps of the Evangelical Pioneers 1898 - 1936 (Estocolmo, 1999).
Debela Birri, "History of the Evangelical Church Bethel," D.Th. diss., Lutheran School of Theology at Chicago, 1995.
Gidada Solon, The Other Side of Darkness, ed. by Marion Fairman (New York, 1972).
Thomas A. Lambie, A Doctor Without a Country (New York, London, Edinburgh, [1939]).
Negaso Gidada, "The Impact of Christianity on Qelem Awraja, Western Wallaga 1886 to 1941," B.A. thesis, Haile Sellassie I University, 1971.

Esta biografia foi pesquisada e escrita em 2004 por Dr. E. Paul Balisky, em serviço com a Missão do Interior do Sudão (SIM) como professor na Escola de Graduação de Teologia da Etiópia onde ele é o coordenador e representante do DIBICA. Ele e a sua esposa Lila são membros do Conselho Assessor do DIBICA.