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Konyani, Reuben Ngahapa
f. 1964
Igreja Evangélica África
Malaui

Oriundo da tribo Ngoni, Reuben Jonyani Ngahapa era do distrito de Dedza no Malaui central. Ainda menino, com dez a doze anos de idade, foi capturado como escravo junto com seus pais nos últimos dias do comércio de escravos em Malaui. Apesar dos britânicos terem declarado a terra de Nyasaland como protetorado em 1891 e proibido o comércio de escravos no seu território, o tráfico clandestino ainda era praticado. Por ainda ser menino quando foi capturado com seus pais, não foi acorrentado junto com os adultos e simplesmente seguiu ao lado da caravana de escravos. No caminho ele fugiu sem que os traficantes de escravos percebessem.

Depois de livrar-se das garras dos traficantes de escravos o jovem Reuben correu para casa onde só encontrou desolação e a casa queimada. Alguns dos seus outros parentes que tinham escapado da caçada de escravos também saíram de seus esconderijos e verificaram os escombros. O menino ficou com seus parentes que o criaram e jamais soube de seus pais.

Quando tinha mais ou menos vinte anos, soube de uns missionários que tinham aberto uma escola perto de sua área. A missão Livingstonia havia sido instalada na região norte do Malaui no fim do século XIX, e a sua influência espalhou-se por toda região. Reuben ouviu falar de ler e escrever, o que lhe parecia mágico, e decidiu ir à escola para aprender. Ele, entusiasmado, aprendeu os rudimentos do aprendizado, o que na época incluía instrução bíblica com o propósito de levar os nativos a Cristo. Neste processo, Reuben passou a confiar em Jesus como seu Senhor e Salvador; mais tarde tornou-se professor e evangelista.

No começo do século XX a Missão Geral da África do Sul chegou a Nyasaland através de Nsanje na região sul e se fixaram entre os Sena, um grupo étnico do baixo Shire nos distritos de Nsanje e Chikwawa. Por serem novos na área e enfrentarem problemas com a língua, decidiram pedir ajuda aos seus colegas missionários do norte. Solicitaram a ajuda de alguns professores e evangelistas. Reuben Konyani foi um dos professores que foi para o sul para trabalhar entre os Sena e assentar as bases para a pregação do Evangelho numa área onde Cristo estava recentemente sendo anunciado.

Como evangelista itinerante pregava de sol a sol em muitos lugares. Às vezes, ao chegar a noite, ele conseguia abrigo com chefes locais amigáveis. Outras vezes, negavam-lhe comida e até o fogo para poder aquecer-se à noite. A sua esposa, que inicialmente o acompanhou, logo voltou para casa, pois não suportou aquelas condições. Ele permaneceu sozinho no resto da sua vida e ministério. No entanto, apesar desta situação, ele viveu uma vida pura que honrava a Deus, numa época na qual a castidade era desconhecida entre homens normais. Seu ministério e sua conduta pura eram um grande testemunho da graça de Deus na sua vida. Ele sempre usou calças compridas e uma bata acima dos joelhos. Ao ficar mais velho muito o viam como profeta, especialmente pelo seu estilo diferente.

Por muitos anos o seu ministério como evangelista tocou muitos corações. Muitos lugares de oração e estudo bíblico foram iniciados e fortalecidos posteriormente por missionários que continuaram o trabalho. Muitos destes pontos de pregação tornaram-se igrejas da Igreja Evangélica África. A missão também fundou muitas escolas que serviam de ligação com o povo local; Reuben, que era professor, tornou-se o superintendente das escolas. Isto fez com que seu ministério tivesse um diferencial, pois atingia as comunidades como professor e como evangelista.

No fim dos anos 30 Reuben recebeu o diagnóstico de tuberculose e, portanto, não pôde mais viajar como evangelista e superintendente das escolas. A esta altura, devido aos seus esforços, a primeira leva de professores assumiu o trabalho que ele fazia até então. Como resultado da sua saúde enfraquecida, ele permaneceu em Chididi, na cede da missão, e trabalhou como kapitawo ou encarregado dos trabalhos da missão por muitos anos. Quando a sua saúde piorou, ele ajudou na clínica por muitos anos, pregando aos pacientes pelas manhãs. Muitos corações foram trazidos para o Senhor através do seu ministério, e a comunidade cristã se fortalecia dia-a-dia.

Entre 1957 e 1958, enquanto Konyani recebia tratamento hospitalar devido à tuberculose, não parou de pregar e testemunhar o que Deus tinha feito na sua vida. Novamente, muitos corações foram tocados pela mensagem de Cristo.

Em setembro de 1958, após receber alta do hospital, próximo à idade de oitenta anos, matriculou-se num Instituto Bíblico dirigido por Charles Long e sua esposa Mary. Como sempre, foi um dos melhores estudantes em termos de personalidade. Na sala, costumava sentar-se próximo ao professor e vibrava com os ensinamentos sobre a palavra de Deus. Ele era conhecido como um homem que amava ler a Bíblia e escutar sobre a palavra. No entanto, não foi muito bem nas provas, Mary Long contou que durante a prova final ele não conseguiu escrever nada na folha, a não ser: "Não posso lembrar todas aquelas coisas que você me ensinou, mas posso relatar-lhe todas as coisas maravilhosas que o Senhor tem feito por mim." E escreveu seu testemunho pessoal, para a surpresa e risos da professora. Em 1960, formou-se com um certificado honorário em reconhecimento ao seu longo e fiel serviço à comunidade cristã.

Em 1962 a sua doença piorou e voltou ao hospital, e novamente foi uma benção para todos os pacientes a quem ele sempre estava testemunhando as maravilhas da Graça de Deus. As pessoas vinham até a sua cama para escutá-lo pregar, e muitos foram salvos. Os doutores ficaram abismados com os resultados de um exame de raios-X de seus pulmões que revelavam que do ponto de vista médico, ele já deveria ter morrido há muitos anos. Um dos seus pulmões parecia um balão de papel cheio de buracos. Surpreendentemente, apesar da condição deplorável de seus pulmões, o homem estava sempre daqui pra lá no hospital pregando o Evangelho.

Após esta saída do hospital, os missionários o aconselharam a não trabalhar muito, e permaneceu em casa. Então passava a maior parte do tempo orando e lendo a Bíblia. Muitas vezes o escutavam orando na sua casa como se estivesse falando com alguém. A sua vida de oração podia ser percebida quando orava na igreja aos domingos. Quando lhe pediam para orar depois da pregação, ele repassava a pregação e acrescentava alguma coisa e depois orava por toda a congregação, nome por nome, por todos os missionários que conhecia e muitos outros. Quando terminava a sua oração, todos já tinham ido embora para casa!

Em 1964 Reuben voltou ao hospital. Desta vez, depois de ter lutado contra a tuberculose por quase trinta anos, estava muito fraco. Não saiu mais do hospital, mas as pessoas vinham até o seu leito para escutá-lo. Um dia, em fevereiro, ao terminar de falar com um grupo que estava ao seu redor, ele disse: "Vamos orar." Ele orou uma de suas orações mais longas e jamais abriu os olhos depois de dizer: "Amém". Assim, em paz, ele foi encontrar-se com o seu Senhor.

Três anos depois, a comunidade cristã onde ele tinha servido por mais de trinta anos, foi registrada como uma Igreja Evangélica África. Mais tarde, a missão mudou o nome para Comunidade Evangélica África. Muitos o lembram como o homem que assentou o fundamento da Igreja na região do baixo Shire.

Louis W. Ndekha


Bibliografia:

1. Entrevista com Mary Long, sua professora no Instituto Bíblico, que ela e seu marido Robert fundaram em 1957 onde Reuben foi um dos seus primeiros estudantes. A informação sobre o começo da sua vida e ministério foi recebida por ela como uma autobiografia quando Reuben era estudante. As outras informações foram testemunhadas por ela. (Mary Long, Bonis Avenue, Scarlborough, Ontario, MT 3rd, Canadá. Marylong@axxent.ca)
2. Entrevista com o Rev. Major Jimu, Ex-secretário Geral da Igreja Evangélica África
3. Entrevista com o Rev. Elias Soya, atual Secretário Geral da Igreja Evangélica África.
4. Entrevista com o Rev. Justice Maguza, pastor, Igreja Evangélica África Chilomoni.

Este artigo foi apresentado em 2003, foi escrito e pesquisado por Louis W. Ndekha, Coordenador de Contatos do DIBICA, sob a supervisão de A. Folayan (missionário da Missão Zambezi), diretor do Instituto Bíblico de Malaui, uma instituição participante do DIBICA.