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Campos, Martinho Waphala
c.1925 a 1990
Igreja União Baptista
Moçambique

Martinho Campos Waphala foi um dirigente chave na transição do evangelismo com a missão ao centro para um movimento vivo da Igreja entre os povos da língua Makhuwa e Lomwe nas áreas do norte de Moçambique. Sossegado, mas mostrando firmeza, ele dirigiu o que se tornou a região norte da Igreja União Batista (Union Baptist Church) durante as décadas da perseguição e guerra civil. Este period viu o encerramento em 1959 da missão chamada “Mihekani”, a missão principal no norte do Moçambique, e a expulsão geral dos missionários. Durante os vinte cinco anos da sua liderança, o número de membros no movimento evangélico aumentou por um factor de vinte cinco vezes, começando com cerca de cinco mil pessoas e crescendo para mais que 125 mil pessoas.

O trabalho em Mihekani, situada na área montanhosa de Nauela na Província de Zambézia, começou em 1913 e seguiu o patrão clássica da estação da missão. A missão central teve uma igreja local, um pequeno hospital e uma escola. Nas zonas em redor, igrejas locais foram organizadas e cresceram. O Novo Testamento foi traduzido e publicado em 1931. O padrão de crescimento continuava mesmo durante a transição na década de 1930 da supervisão da Igreja de Escócia – Missão de Blantyre para Missão Geral de África do Sul. (SAGM, mais tarde a “AEF”, e agora SIM — Servindo em Missão). Oposição vinda do governo colonial de Portugal, dominado pela Igreja Católica Romana, estava constante.

Campos cresceu perto da Mihekani e fez um compromisso definitivo ao Cristo depois de dois eventos de cura divina. Os seus primeiros dois filhos ambos nasceram com pernas deformadas. Depois de muita oração e tratamento da esposa no hospital da missão, o terceiro filho, nasceu normal e saudável. Além disso, o Campos mesmo foi curado na missão depois de sofrer bastante tempo com uma doença debilitante. Ele ficou muito ativo na sua igreja local, estudou na Escola Bíblica e serviu como professor na escola primária da missão.

Mesmo sendo mais novo que os outros homens na Mihekani, Campos foi escolhido para dirigir os anciãos. Logo depois, encontrou-se envolvido profundamente em controvérsia. Um avivamento marcado por manifestações ponderosas do Espírito Santo foi parado quando um pregado matou uma criança no hospital da missão reivindicando poder para levantar os mortos. A missão foi fechado e todos os missionários foram expulsos pelas autoridades coloniais. Os Novo Testamentos foram confiscados e destruídos publicamente num fogo. Umas igrejas foram queimadas. Reuniões com mais que 12 pessoas foram proibidas.

Sob a liderança corajosa do Campos, os cristãos adaptaram-se. Dividiram-se e pequenos grupos quando mais que dez pessoas se uniram. Compartilharam uma só cópia do Novo Testamento na língua Lomwé entre três, quatro ou mesmo mais grupos de crentes. Assim a igreja experimentou muito crescimento.

A posição do Campos ficou contestada. Pelo fim da década 1960, três igrejas grandes desenvolvera do trabalho feito na missão da Mihekani. Foram a Igreja União Batista, a Igreja de Cristo, e a Igreja Evangélica de Cristo. Campos teve responsabilidade pelo grupo maior de todos, o ramo norte da Igreja União Batista.

Nos primeiros anos da década 1970, a perseguição diminuiu-se e ficou possível coletar os tijolos dos edifícios na Mihekani que foram demolidos. Os tijolos foram então usados para construir uma igreja e uma escola bíblica uns quilômetros distante perto da casa do Campos na vila de Eleve. Mas em 1975, veio independência nacional sob um governo Marxista. Em 1980 surgiu a guerra civil naquela zona.

Mais uma vez enfrentando condições de crise, o Campos, agora mais idoso, deu direção estável para um movimento sem acesso à formação formal em estudos bíblicos. Ele estabeleceu de novo ligações com a missão Servindo em Missão, pedindo o envio de missionários para ajudar com a formação bíblica.

Em 1986 o Campos foi tomado prisioneiro pelos rebeldes e, junto com outros pastores, foi forçado marchar por uma distância maior que 200 quilômetros. Uma vez durante a marcha, ele foi deixado no mato para morrer porque os pés recusaram permiti-lo andar mais um metro. Mas ele viveu! Ele foi visto com tão alta estima que tanto os rebeldes como o governo chegaram para o proteger e procurar o seu apoio. Mais tarde ele foi evacuado do território dos rebeldes num helicóptero do governo.

Já gasto e sofrendo de mal saúde, ele passou os seus últimos meses na capital provincial de Quelimane. Faleceu em Abril, 1990, e foi enterrado na vila de Alto Molocué.

Stuart J. Foster


Bibliografia:

1. Thompson, Phyllis. Life Out of Death in Mozambique. London: Hodder & Stoughton, 1989.

Campos, José Frederico. Entrevista, 15 de Setembro, 2009.

Sambo, Chico. Entrevista, 10 de Setembro, 2009.



Este artigo, recebido em 2009, foi pesquisado e escrito em inglês por Dr. Stuart Foster, DTh (Stellenbosch, África do Sul), missionário da SIM em Moçambique desde 1986, e consultor e especialista na tradução bíblica (UBS), e submetido por liaison coordenador Rev. Dr. André Jonas Angelica da Fraternidade Teológica Africana (ATF Lusophone Network).