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Chissale, Bernardo
1962 a 2002
Igreja do Nazareno
Moçambique

Bernardo e Magdelena Chissale (n.1967) moravam na zona noroeste de Moçambique. O pai do Bernado, Bvuende, foi o chefe com responsabilidade de mais que vinte quatro aldeias. Quando Bernardo teve quarto anos de idade, o pai dele morreu num acidente de viação que foi planeado e causado por pessoas que estavam invejoso da sua posição como chefe. A morte do pai criou condições difíceis para a família e a mãe de Bernardo fabricava cerveja tradicional para obter dinheiro para enviar as crianças à escola. Bernardo estudou até a 7a classe e naquele ano, 1979, foi forçado deixar os estudos para trabalhar e sustentar a família. Em 1983 Bernardo começou a trabalhar por uma empresa agrícola. Ele bebia frequentemente e também participava como membro num grupo Gule Wamkulu (Nyau – uma sociedade secreta do povo Chewa que praticava rituais ligadas com os espíritos dos antepassados) e assim ele participava em práticas más.

Em 1983 Bernardo casou-se com a Magdalena cuja família era da Igreja do Nazareno. Ela teve 16 anos de idade quando se casou e ela deixou de estudar na escola. Em 1984 nasceu a primeira filha, Jacenta, e em 1985 nasceu mais uma menina, Sandra.

Em 1985 eles ouviram que soldados terroristas estavam a aproximar a sua aldeia e eles fugiram na direção das montanhas para salvar as suas vidas. Bernardo e Magdelena ficaram separados da sua mãe e irmãs e elas ficaram capturadas pelos terroristas. O capitão quis matá-las, mas um dos soldados rogava pelas vidas delas. O soldado salvou as vidas delas, mas roubaram todos os bens das senhoras. Três dias mais tarde, a mesma brigada de soldados atacaram a vila de Manjanja e queimaram 726 casas deixando o povo sem casas, comida e roupas. Bernardo e a família esconderam-se no mato por duas semanas até representantes do governo disseram-lhes fugir e tomar refúgio em Malawi. Bernardo conta a história:

Levamos seis dias para chegar em Malawi. Só tivemos raízes e frutos do mato para comer. Uns membros do nosso grupo foram capturados pelos soldados. Uns foram separados dos seus filhos. Uns foram capturados e levados para o campo dos rebeldes em Matenje. Os outros foram mortos. Pela graça de Deus, nós continuamos vivos e chegamos em Malawi no dia 12 de Janeiro, 1987. Nenhum membro da minha família ficou ferido. Fomos bem recebidos pelo governo de Malawi e pela Igreja do Nazareno, mas naquele tempo eu não fui um crente puro.
Em Malawi a família achou um lugar viver no acampamento dos refugiados em Dedza. Porque a Magdalena cresceu numa família nazarena em Moçambique, foi natural por ela ajudar iniciar uma igreja no acampamento de refugiados. Em 1990 Magdalena serviu como uma dirigente na igreja ajudando no trabalho da igreja. Esta responsabilidade aumentou-se mais quando o pastor, o Rev. Bonga Laitane, deixou Malawi e voltou a Moçambique.

Quando pastores nazarenos, o Rev. Matthew Sabwela e Rev. Thomas Phiri, visitaram o acampamento, mais que cinquenta mil refugiados estavam a viver no acampamento. Crianças sofrerem de mal nutrição. A única tentativa para ensinar as crianças foi feita pelos professores entre os refugiados. Não havia nenhum mecanismo para cuidados de saúde, exceto por um hospital pequeno do governo. Muita gente sofreu de malária, cólera e disenteria. Não menos de dois cultos funerários foram realizados cada dia numa zona do acampamento. A estação chuvosa, quando as condições pioravam profundamente, ainda não começou, mas vinha logo. Apoio alimentar veio pelas agências das Nações Unidas. A porção de comida oferecida foi duas baldes de farinha de milho e uma pequena quantidade de feijão. A Magdalena recebeu umas roupas enviadas por membros da Igreja do Nazareno, e ela estava profundamente grata pelo apoio.[1]

Bernardo fala da sua conversão: "Eu encontrei Jesus como Salvador e fiquei lavado em 1987 na Igreja do Nazareno de Fozi na cidade de Lilongwe, Malawi. O pastor, o Rev. Samson Phiri, estava a pregar de Génesis 32:22-30. Ouvi como se fosse Jesus chamando-me das minhas ações pecaminosas. Submeti-me a Deus. Então, comecei a dar testemunho aos outros e fiquei um crente árduo.” Depois de seis meses na classe de prova para novas crentes, foi batizado por Rev. Bonga Laitone na igreja de Dedza. Bernado serviu a igreja como secretário mas começou a orar sobre o serviço como pastor. Ele e Magdalena estudaram a Bíblia. Em 1992 a sua oração recebeu uma resposta e eles inscreveram-se no Colégio Teológico Nazareno de África Central em Lilongwe, e completaram o curso em 1996.[2] Eles regressaram para Moçambique e começaram servir como pastores nas igrejas de Vila Ulongwe e Calomwe no Distrito de Angónia. Bernardo também serve como presidente da grupo de jovens – Juventude Nazarena Internacional – no Distrito de Angónia.

No dia 15 de Agosto, 1998 a filha, Sanda, de 14 anos de idade, e o filho, Kashitigo, de 10 anos de idade, ambos morreram sendo afogados tragicamente no Rio Zambeze.[3] Foi um tempo profundamente difícil por toda a família.[4]

Do Fevereiro 2000, Bernardo serviu como presidente do Projecto do Filme de Jesus no Distrito de Macanga. O propósito do projeto foi a plantação de novas igrejas locais. Bernardo trabalhava com dois outros homens nesta equipa, o Sr. Danger Kazulira e o Sr. William Jambulani Phiri. Tiveram problemas com transporte e por isso eles carregaram os aparelhos nas suas cabeças sobre distâncias cumpridas. O Bernardo relatou que já no mês de Fevereiro foram estabelecidas três novas igrejas.[5] O Bernardo e a Magdalena serviram como pastores na vila de Angonia no Distrito de Macanga.

O Pastor Bernado Chisale ficou gravemente doente e morreu subitamente no dia 24 de Fevereiro de 2002.[6]

Paul S. Dayhoff


Notas

1. Robert Remington, "Mozambique Refugees of Malawi" World Mission, (Kansas City, MO: Nazarene Publishing House, February 1991), 14-15.

2. Enoch & Ruth Litswele, carta, Honeydew, 20 de Janeiro de 1996.

3. Trans African, (Florida, Gauteng, South Africa: Africa Nazarene Publications, No. 2, 1998), 20.

4. Rev. Bernardo e Sra Magdalena Chisale, relatório escrito, Janeiro, 2000.

5. Rev. Bernardo Chissale, carta, 22 Fevereiro 2000.

6. Joanie Doerr, Out of Africa, Weekly E-mail news from Africa Region, Church of the Nazarene, (February 27, 2002), 3.



Este artigo é reproduzido, com permissão, de Standing Stones of Africa: Pillars of the Faith in the Church of the Nazarene, unpublished, copyright pending, 2004, by Paul S. Dayhoff. Todos os direitos reservados.