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Guiva, Ester
c. 1911 a 1994
Igreja do Nazareno
Moçambique

A Pastora Ester Danisane Guiva (1911 a 1994) era de Macatecane. Três anos depois de falecer o pai, quando ela tinha dez anos, a família entregou Ester aos demônios. Eles dedicaram-na como "esposa" dos espíritos ancestrais para que fosse a medianeira da família. Isto foi feito com o fim de proteger a família das doenças e para angariar dinheiro através do seu trabalho como curandeira tradicional e feiticeira. A família tratava-a com grande respeito, ajoelhando-se diante dela para se comunicar com os espíritos. Ela era possessa de demônios.

Quando Danisane completou dezessete anos, ela começou a ir aos cultos atrás dos irmãos, quando estes foram à igreja. Porém, a mãe dela proibiu-lhe ir à igreja. Uma das suas irmãs tinha-se casado com um obreiro; esta insistia com Danisane para deixar os espíritos e arrepender-se. Num domingo ela assistiu ao culto e se arrependeu. Então levou os artigos do culto aos demônios para serem queimados, e tomou o nome de Ester. A mãe dela ficou muito perturbada, porque ela estava certa de que isto havia de trazer calamidade, doenças e morte à família.

Alguns meses depois, durante os grandes avivamentos de santidade de 1927 e 1928 na Província de Gaza, este movimento do Espírito chegou à igreja dela. O Rev. Charles Jenkins testemunhou o que aconteceu.

Durante uma sessão de oração ela levantou os braços e caiu como morta. Depois de algumas horas levantou-se e assentou-se como se estivesse em transe. Os cristãos em oração ordenaram ao demônio que saísse dela. Uma voz grossa saiu dela, falando na língua Zulu (que não era a língua nativa dela) e pediu um copo de água. A voz pronunciou o seu nome e identificou um lugar em Zululândia (Natal) como sendo a sua terra. Disse também que estava à procura dum lugar de habitação, e que a menina possuía alguma coisa que lhe pertencia. Quando lhe perguntaram se conhecia Jesus, a voz disse: "Eu odeio-O! Eu odeio-O!". A cara da Ester ficou contorcida com o ódio. Quando ordenaram outra vez que saísse, a voz respondeu que havia de sair e entrar na parede, para voltar depois. Ester começou a contorcer-se e a espumar pela boca. Então, com um safanão, caiu no chão, flácida e exausta, mas ela ainda estava consciente.

Em lágrimas, ela confessou que tinha guardado um pano especial. A mãe dela o tinha guardado para afastar o perigo. O pano representava Danisane e era usado pelo curandeiro tradicional quando este vinha purificar a casa. Ester procurou-o até encontrá-lo e o pano foi queimado. Durante algum tempo ela continuou a sofrer, e os demônios a perturbavam. Finalmente ela jejuou durante três dias e orou por vitória completa. Uma reunião especial de oração foi convocada e os cristãos oraram durante a noite inteira; cedo de manhã Ester encontrou vitória. Começou a louvar a Deus, dizendo: "Ele veio! O Espírito Santo chegou em poder purificador!". Ela nunca mais foi perturbada.

A Senhorita Ester Guiva preparou-se para ser enfermeira e obreira cristã no hospital metodista em Inhambane. Em 1954 ela e Vasta Manhique foram as primeiras estudantes femininas a se inscreverem na Escola Bíblica em Tavane. Ela serviu como enfermeira e governanta das meninas na escola da missão em Tavane. Através dos anos o seu testemunho continuou a soar alto e claro. Em 1986, ela escreveu:

Dou graças a Jesus, que me deu a vida que Ele conquistou ao morrer por mim na cruz. Ele resgatou-me do pecado em que eu vivia... O caminho do Senhor nem sempre tem sido fácil. Há tentações do inimigo que me quer arrastar para trás. No Senhor, sou como uma esposa comprada pelo seu marido. Mesmo que o marido bata nela, sabendo que ele pagou a lobola (preço para resgatar a esposa), ela não o deixará por outro homem, como algumas mulheres fazem hoje em dia. Eu estou ligada ao Senhor Jesus. Não penso em voltar para casar novamente com Satanás, já que conto muitos anos casada com Jesus, que me comprou. Eu morrerei no Senhor, porque Ele me comprou.[1]
O ministério dela tem sido uma ajuda e grande bênção para muitos.[2]

Paul S. Dayhoff



Citações:

1. "Testimony of Aunt Ester Guiva",Mutwalisi (O Arauto), revista na língua Tsonga da Igreja do Nazareno em Moçambique e na África do Sul, (Florida, Transvaal, África do Sul: Nazarene Publishing House, dezembro de 1986),11.
2. Lorraine Schultz, Because Somebody Prayed : Miracles in Nazarene Mission, (Kansas City, MO: Nazarene Publishing House, 1994),62-66.



Este artigo é reproduzido, com permissão do livro Living Stones In Africa: Pioneers of the Church of the Nazarene, edição revisada, direitos do autor © 1999, por Paul S. Dayhoff. Todos os direitos reservados.

Este artigo foi traduzido da língua inglesa pelo Rev. Roy Henck, missionário reformado para Cabo Verde, e pelo Rev. António Barbosa Vasconcelos, pastor cabo-verdiano.




Ester Guiva