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Pierre Loze
1867 a 1947
Protestante
Moçambique

 


O Pierre Loze nasceu na vila de La Chaux-de-Fonds, Suíça, em 1867. Ele fez os estudos secundários na vila onde cresceu e estudou a teologia na Faculdade de Neuchatel. Ele completou a preparação missionária em Londres, Inglaterra.

No Sul de Moçambique

No ano 1893, o Loze casou-se com a Sra. Fanny l’Eplattenier e juntos partiram para Moçambique. Foi nesse tempo que os últimos chefes africanos estavam em rebelião contra o governo colonial de Portugal. Em 1894, eles chegaram na missão de Rikatla situada uns 25 quilómetros ao norte da cidade de Lourenço Marques (agora Maputo). A locação na Rikatla foi provisional, porque em pouco tempo o Loze desamparadamente assistiu a destruição da missão pelos guerreiros de Mahazule. Isso foi uma batalha na guerra do Ndoumane.

Mais tarde, começando da cidade de Lourenço Marques, ele fez uma exploração geográfica de toda a região sul de Moçambique. Em 1898, ele estabeleceu uma nova missão que foi chamada Tembe. O Loze incansavelmente andava de pé. Como muitos outros daquela época, ele desejava desenvolver um tipo de mapa demográfica da região. Ele foi surpreendido pelo facto que, aqui e alí, ele encontrou pessoas que trabalhara como mineiros nas minas de Kimberlito e Joanesburgo na África do Sul. Muitos deles tinham-se convertido à fé cristã. Ao regressar a terra natal deles, eles estavam a procurar um missionário para lhes apoiar. O Loze sempre andava pelo país com a visão da “seara” na mente, e a necessidade de obreiros.

Depois de uns anos, o Loze foi colocado na cidade de Lourenço Marques, junto com o seu colega missionário, o Paul Berthoud. Aqui na cidade o Loze encontrou-se rodeado pelas multidões dos africanos urbanizados. Em pouco tempo ele conheceu muito bem a “cidade de caniço” (a zona reservada para os africanos em distinção da cidade de “cimento” onde ficavam os portugueses). Aqui entre a gente urbana ele testemunhou os danos causados pela civilização, dinheiro e álcool. Com os seus colegas suíços e africanos, o Loze lamentou, “Já perderam o vosso primeiro amor? Onde ficam as conversões que tiveram no princípio?” Ele viu a necessidade urgente de alcançar estas pessoas, mas com os poucos recursos, como seria possível educá-los? O Loze viu a necessidade de ensinar ambos, crianças e adultos também. Mas, ele viu, eles precisavam de aprender falar bem a língua portuguesa porque era necessário apresentar-se perante os representantes do governo colonial.

As escolas missionárias pequenas ficaram estagnadas na rotina da vida diária. O Loze ficou muito inquieto sobre a situação destas escolas, e frequentemente exibiu a sua preocupação e as suas ambições perante os representantes das autoridades, e em particular, ao bem-educado e liberal governador, o Sr. Freire Andrade. Foi nestas circunstâncias que o Loze escreveu em 1907 uns livros textos bilíngues pelo uso das escolas indígenas.

Em 1909, durante uma viagem de férias para a Suíça, a sua esposa morreu no alto mar. Ao regressar a Moçambique, em 1910, o Loze cassou-se de novo. Ele casou-se com uma professora missionária, a Sra. Louise Molina. Uma coisa extraordinária aconteceu: o Pierre Loze, um missionário estrangeiro e protestante, foi nomeado membro da Comissão de Educação Pública de Moçambique!

Isso é o resultado do fato que o Loze entendeu bem duas coisas: todo o país de Moçambique deveria ser evangelizado apesar da multidão de obstáculos posto no caminho pela política nacionalista portuguesa ou pela igreja. Esta evangelização não devia ser fragmentada. E também, a Missão Suíça precisaria de colaborar com as outras sociedades missionárias maiores. Isso seria muito importante durante a Primeira Guerra Mundial quando seria difícil para os estrangeiros achar passagem para Lourenço Marques.

Ao mesmo tempo, o Pierre Loze tomou conhecimento de uns jovens cristãos na cidade de Beira. Conheceram a fé cristã através dos esforços de uns missionários americanos que passaram por lá. Eles foram fortificados na fé sob a influência de um trabalhador num dos hotéis, o Guilherme Tapera Nkomo. Também tomou conhecimento de uns soldados convertidos durante o tempo deles na Rodésia. Assim, o Loze percebeu os sinais de boas coisas naquela zona do país. Ao fim da Primeira Guerra Mundial, o Loze conseguiu concluir o trabalho da tradução da Bíblia na língua Ronga.

Aposentamento: Beira, Sofala e Manica

Em 1930, o Pierre Loze chegou ao tempo do seu aposentamento. Foi um tempo da grande depressão económica e isso constituiu uma ameaça ao progresso das missões em Moçambique. As missões dos Estados Unidos todos declararam que não tiveram meios nem pessoas para dedicar à missão nas províncias de Manica nem Sofala. Entretanto, o Loze foi conhecido, e ele foi disponível. Depois de passar muito tempo e ganhar muita experiência em Moçambique, o Loze, oficialmente aposentado, ficaria o apóstolo da Beira.

Moçambique como país é mais estreita na zona de Beira. Os portugueses sofreram muitos insultos dos agentes do Cecil Rhodes, o administrador da Rodésia. Por isso, os portugueses não gostaram de ver estrangeiros estabelecerem-se em Beira, e era pior se os estrangeiros fossem missionários protestantes. Mas, a cidade de Beira também serviu como porto da Rodésia e Catanga. Também, era a capital da região central do país com uma área de cerca de 140,000 quilómetros quadrados e uma população mal nutrida de 300,000 habitantes.

Recém-chegada, O Pierre Loze apresentou-se às autoridades. O oficial cumprimentou-o com um sorriso; foi um amigo de muito tempo! Mas ele teve umas preocupações: O senhor começará um serviço missionário aqui na cidade? Mas não, o Loze está aposentado! Então, porque é que queira ficar aposentado no calor intenso de Beira? O Loze dará apoio espiritual a uns convertidos vindos de Lourenço Marques. Com muita sabedoria, e seguindo as regras, os africanos estabeleceram uma associação de caridade e ajuda mútua.

Com sessenta e sete anos de idade, o Loze começou aprender a língua changana e outras línguas de Manica e Sofala. Ele publicou porções da Bíblia e viaja por volta da zona, mesmo visitando uns missionários americanos na Rodésia. Tendo corrido pelos corredores dos administradores dos portugueses por tantos anos, ele obteve a permissão abrir uma escola de noite para jovens, e também conseguiu um salão onde ele pudesse realizar cultos de adoração. Também, completou uma tradução do Novo Testamento na língua changana.

Na cidade de Beira, o missionário fez novos contactos. Crentes das outras províncias de Tete e Niassa aproximaram-se dele pedindo Bíblias. São sinais dos trabalhos benfeitos uns anos mais cedo por outros missionários “estrangeiros” que o governo tinha expulsado de Moçambique.

Os Últimos Anos

Os últimos da sua vida, o Pierre Loze e a esposa dele fizeram moravam na vila de Umtali (agora Mutare, Zimbabué) perto da fronteira com Moçambique. Eles estavam muito cansados por causa do calor e de toda a atividade no ministério, mas na vila de Umtali o ar das montanhas é mais fresco. O Loze também sofreu com doenças dos olhos e a visão foi diminuída. Mesmo assim, o Loze escreveu pela máquina exceto quando ele se preparava visitar a Beira. Em Beira já chegou um evangelista português e ele estava a preparar obreiros africanos.

Subitamente, o Pierre Loze faleceu na vila de Umtali em 1947, com oitenta anos de vida. Este artigo reimpresso aqui com permissão, vem de Men and Destinies: Biographical Dictionary Overseas, Volume 2, Volume 2, publicado em 1977 pela Academia das Ciencias do Além Mar (15, rue La Perouse , 75116 Paris, France). Todo os direitos reservados.

André Clerc

Bibliografia

1907 Vocabulário Ronga Português - A.-W. Baily, Lourenço Marques.
1907 Elementos de Leitura I, em Português - A.-W. Baily, Lourenço Marques.
1907 Elementos de Leitura II, em Português - A.-W. Baily, Lourenço Marques.
1907 Elementos de Leitura com vocabulário Português- chironga-chithonga. A.- W. Baily. Lourenço Marques. (Reimpresso em 1922 e 1927 na Cleveland Press. Transvaal).
1907 Elementos de Leitura com vocabulario Português-Shitswa. Lourenço Marques. (Reimpresso em Cleveland Press, Transvaal, em 1922 e 1926).
1907 Elementos de Leitura com vocabulário Português-Chindau. Lourenço Marques. (Reimpresso em Cleveland Press. Transvaal em 1922 e 1926).
1927 Lições das coisas para uso das Escolas indígenas ao Norte do Save, Comissão dos Livros Escolares indígenas para primeira e segunda classe. 3a editção. Cleveland Press. Transvaal.
1927 Lições das coisas para uso das Escolas indígenas ao Sul do Save, pela. Comissâo dos Livros para Escolares indígenas. 3a edição. Cleveland Press. Transvaal.
H. Guye, 1938: "Beira, uma porta aberta" Lausanne. Missão Suiça na África do Sul. p38.


Este artigo reimpresso aqui com permissão, vem de Men and Destinies: Biographical Dictionary Overseas, Volume 2, Volume 2, publicado em 1977 pela Academia das Ciencias do Além Mar (15, rue La Perouse , 75116 Paris, France). Todo os direitos reservados.