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Manhique, Samuel
1912 a 1974
Igreja do Nazareno
Moçambique

O Rev. Samuel Hlambelane Macuyane Manhique começou a trilhar o caminho do Senhor quando tinha quinze anos, ainda que os seus pais não quisessem que ele fosse cristão. Isto aconteceu em Chicumbane sob o ministério do Pastor Filemom Mundlovu. Ele deu graças a Deus por ter o Senhor enviado um pregador a essa área onde as trevas eram tão densas. Ele disse que nunca havia de esquecer o grande avivamento de 1928 e 1929, que começou em Njatigue, quando o Rev. Gaza (Jenkins) estava ali e muitos crentes se estabeleceram verdadeiramente na fé. Ele foi atingido por esse avivamento e testemunhou, "Dou graças a Deus pelo Espírito do Senhor que vive no meu coração."

Dois anos depois, ele foi trabalhar como estafeta em Mpfumo (Maputo) e permaneceu ali por dezenove anos. Não havia igreja na localidade e os crentes eram escassos. Ele foi ajudado grandemente pelo Senhor Professor Vasco Mondlane e o Senhor Mateus Mucavele Zeula, que dirigiram cultos de oração. Em 1932, ele foi batizado na igreja de Chipaja, cujo pastor era Isaque Mandlate.

Manhique encontrou-se com uma jovem linda, Raquelina (?-1993), natural de Muhetani, que veio a ser sua esposa. O Senhor abençoou o seu lar com quatro filhos e cinco filhas. Eles foram pastorear em Chipaja em 1949 e inscreveram-se no Intituto Bíblico de Tavane em 1954.[1] A Missionária Lorraine Schultz "Dez para as oito"[2] era a diretora do colégio, cargo que desempenhou até 1975. O Rev. Manhique foi ordenado pelo Dr. Samuel Young em 1955.

Um dia, dois homens que se diziam crentes viajavam de Bucasha até à cidade. As pessoas sorriam enquanto os dois fardos embrulhados em pano foram colocados no teto do autocarro. Os dois homens ficaram surpreendidos quando encontraram o Rev. Samuel Manhique, que já estava assentado ao lado da janela. O autocarro deu um solavanco, os fardos partiram-se e Manhique ficou todo encharcado pelo líquido que entornou e entrou pela janela adentro. Era álcool feito do fruto de caju, em recipientes camuflados. Os dois homens, humilhados, pediram muitas desculpas e disseram que pretendiam ganhar dinheiro para os seus dízimos e ofertas para a igreja depois de o venderem na cidade. Manhique não tinha levado roupa com ele para mudar; portanto quando se levantou para pregar, trazia ainda o cheiro forte do álcool. Entretanto, o cheiro serviu como ilustração poderosa para a sua mensagem.[3]

O Sr. Samuel Manhique e o Pastor Arão Boca dirigiram cultos para crianças durante uma campanha evangelística em que o Rev. Isaque Mandlate e o Rev. Benjamim Langa eram os pregadores, em 1958. Na sexta-feira da última semana, cerca de cem rapazes e raparigas começaram a orar, chorando e louvando a Deus, e não queriam parar. O Sr. Samuel Manhique foi o servo que o Senhor usou para este grande avivamento. Foi o orador principal na igreja para as crianças, improvisada na sala de aulas da Casa Alegre. Ele havia pregado sobre os pecados de furtar e desobedecer aos pais, estando as crianças em casa. Elas, de novo, começaram a orar fervorosamente, no sábado, dia sete de junho.

Três missionárias: as Senhoras Mary Cooper, Bessie Grose "Polisiman" e Lorraine Schultz, foram visitá-los durante o culto do domingo à tarde, na sala de aula. Algumas crianças estavam de pé, junto dos bancos, outras estavam ajoelhadas, e outras ainda estavam de mãos levantadas. Algumas cantavam; outras louvavam a Deus em voz alta; e outras oravam ou choravam, em voz baixa. No meio desta grande onda de bênçãos havia uma ordem santa e uma sensação invulgar do poder de Deus. Desde aquela sexta-feira até ao fim, as crianças iam continuamente aos pais e professores e confessavam os males escondidos... O testemunho delas era, "Ele chegou!"

No Colégio Bíblico, segunda-feira de manhã, nove de junho, cerca de vinte e cinco tinham-se reunido para a oração matinal. Enquanto o Rev. Samuel Manhique e o Rev. Arão Boca relatavam os acontecimentos da tarde anterior na igreja das crianças, parecia que alguns estudantes haviam sido atingidos por um choque elétrico e alguns caíram de joelhos. Uma testemunha ocular relatou: "Houve ali um novo Pentecostes; alguns estudantes, de pé, choravam, louvando a Deus, enquanto outros se achavam de joelhos em oração. Não havia evidência alguma de fanatismo desordeiro, mas sim uma onda profunda e nova do Espírito Santo no nosso meio."

Estudantes, mulheres e homens, jovens, maridos e esposas, corriam para frente da sala de aulas a chorar e a orar. Os crentes andavam em volta da sala, dando graças a Deus, por esta visitação. O barulho foi ouvido na vizinhança e nos campos, e as pessoas corriam a ver o que se passava. Aqueles que sentiram coragem de entrar, uniram-se em oração, enquanto as carteiras iam sendo empurradas para os lados, para que houvesse lugar.

O Rev. Isaque Mandlate tinha amarrado o seu burro fora, pronto a partir para Chipaja, e tinha chegado apenas para se despedir, mas só conseguiu sair na quinta-feira. Três horas se passaram e, então, à uma hora da tarde, todos marcharam para a igreja cantando: "Ó, quanto amo a Cristo.". As pessoas de fora começaram a chegar, e a oração continuou até às catorze horas. Então o Rev. Noé Mainga despediu a reunião e anunciou que as reuniões haviam de continuar naquela tarde. Os cristãos espalharam-se pelas casas vizinhas para anunciar que as reuniões haviam de continuar.

A igreja estava à cunha naquela tarde; e na terça-feira mudaram para o tabernáculo. Houve pouca pregação e o avivamento continuou até a noite da quarta-feira, 11 de junho. O filho do Sr. Isaque Mandlate, que se chamava Simeão, alcançou gloriosamente a conversão. "Em tudo isto houve perfeita ordem, sem qualquer manifestação de falar em línguas estranhas."[4]

Durante os cinco meses seguintes houve erupções semelhantes nas igrejas locais e nas reuniões dos jovens em todo o país. Muitos jovens foram salvos e santificados tornando-se depois pregadores e líderes na Igreja Moçambicana nos anos de prova que se seguiram.[5] O Rev. Manhique disse: "Eu fui grandemente fortalecido e sustentado na fé pelo poder desse avivamento.". Em 1998 o Rev. Benjamim Langa relatou do avivamento: "Isto constituiu a segunda fundação da Igreja do Nazareno em Moçambique, fato de que ainda nos lembramos hoje."[6]

O Rev. Samuel Manhique foi ordenado em 1958 pelo Superintendente Geral Dr. Samuel Young e veio a ser um líder da zona no Distrito de Tavane (Norte). Ele era excelente pregador.

Paul S. Dayhoff



Citações:

1. Samuel Manhique, autobiografia, cópia passada à máquina pela Sra. Lorraine Schultz. Samuel Manhique, "My Life", Mutwalisi (O Arauto), revista na língua Tsonga da Igreja do Nazareno em Moçambique e África do Sul, (Florida, Transvaal, África do Sul: Nazarene Publishing House, Julho-Setembro de 1974), 11. "Mozambique Watersheds", World Mission, (Kansas City, MO: Nazarene Publishing House, Fevereiro de 1989), 6. Lorraine Schultz, Mozambique Milestones, (Kansas City, MO: Nazarene Publishing House, 1982), 71ff.
2. A Sra. Lorraine Schultz deu realce ao fato de que os alunos foram obrigados a chegar às dez para as oito da manhã. Quem chegasse tarde não receberia o pequeno almoço no dia seguinte. Eis a razão por que lhe deram este nome.
3. O. & M. Stockwell, The Ant Sends The Elephant: Parables and Sermon Illustrations from Mozambique, (Hampton, NH: Yankee Printer, 1989), 91-94.
4. Vicente Mbanze, carta, (13 de abril de 1995).
5. Vicente James Mbanze, "Buku ya nkhuvo wa 50 wa malembe ya Kereke ya Munazarene ka Gaza ni Tete" (50th Anniversary of the Church of the Nazarene in Gazaland and Tete), (Tavane Mission, 1972), 35-37. Lorraine Schultz, Because Somebody Prayed : Miracles in Nazarene Mission, (Kansas City, MO: Nazarene Publishing House, 1994), 50-55.
6. Benjamin Langa, traduzido por David W. Restrick, The Church of the Nazarene in Mozambique: A Brief History, (1998), 9.



Este artigo é reproduzido, com permissão do livro Living Stones In Africa: Pioneers of the Church of the Nazarene, edição revisada, direitos do autor © 1999, por Paul S. Dayhoff. Todos os direitos reservados.

Este artigo foi traduzido da língua inglesa pelo Rev. Roy Henck, missionário reformado para Cabo Verde, e pelo Rev. António Barbosa Vasconcelos, pastor cabo-verdiano.




Samuel Manhique