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Mulate, Luti
1912 a 1996
Igreja do Nazareno
Moçambique

O Rev. Luti (Ló) Mambambari Samuel Mulate é filho do pioneiro, Pastor Samuel Mulate. O nome dele, que quer dizer "vara", faz referência à vara de Aarão no Velho Testamento. Quando, ainda infante, seu pai, Samuel Mulate, chegou à casa e viu amuletos à volta do seu pescoço, os quais lhe tinham sido dados pelo médico tradicional; a mãe dele, Abressa, o havia chamado quando Luti adoecera, mandou tirá-los. Ele orou, e a criança se recuperou. Pouco tempo depois, a mãe de Luti arrependeu-se e se converteu ao Senhor.

Luti entregou-se ao Senhor quando tinha sete anos. Passou a gostar da leitura da Bíblia e da oração. Havia lágrimas nos seus olhos quando testemunhava. Os rapazes da comunidade faziam troça dele, e deram-lhe a alcunha de "o Pequeno Ministro". Antes de morrer, Samuel Mulate tinha pedido que o seu filho Luti fosse viver com os missionários no Instituto Bíblico Rehoboth (Rehoboth Bible College), perto de Joanesburgo. Quando completou doze anos, o rapaz conseguiu ir para Rehoboth.[1]

Em 1924, Luti acompanhou o Rev. Jona Mahalayeye e os missionários, Rev. David Jones e a sua esposa, Maud, bem como a família deles numa viagem à Inglaterra. Durante um exercício no uso dos salva-vidas, encontraram o rapaz chorando e orando, com medo de que estivessem em grande perigo. Ele contou que possuía um pano tipo xadrez numa caixa em casa, o qual tinha sido dedicado aos espíritos ancestrais. Aceitara o amuleto de um tio dele, para o não ofender. Ele prometeu queimá-lo assim que retornasse à casa.

Uma vez formado pelo Instituto Bíblico de Rehoboth (logo ao norte de Joanesburgo), Ló (como ele veio a ser chamado) frequentou a escola portuguesa, em Tavane, e depois em Maputo. Casou-se com a jovem Weceliya Cuamba (Esselina Micas) em 1936, e o seu primeiro pastorado foi em Muhambi, perto de Chaimite. Ló era um verdadeiro cavalheiro cristão e apoiava Jona Mahlayeye nos trabalhos do distrito. Como ele podia falar também o inglês, era responsável por grande parte da comunicação entre as igrejas em Moçambique e os dirigentes missionários na África do Sul.

Em 1952, o Sr. Ló Mulate era o dirigente em Chaimite e tornou-se superintendente do Distrito de Limpopo na Igreja do Nazareno. Ele foi sempre bom exemplo para os crentes e destacava-se nas Escrituras. Todos o respeitavam e honravam como um dos verdadeiros dirigentes na igreja. Aposentou-se com a idade de sessenta e cinco anos.[2]

A Sra. D. Weceliya Mulate (1916-1981) nasceu em Nguazani, Chibuto. O pai dela foi Mitine Micas Cuamba e a sua mãe chamava-se Mulidose Sitoe. Apoiava fielmente o seu marido, Ló Mulate, onde quer que ele fosse. Em 1973 ela adoeceu, e foi aos poucos ficando paralisada. Quando morreu, deixou onze filhos e dezoito netos. No dia 20 de dezembro de 1959, o filho dos Mulates, Esabelani Ló, de oito anos, morreu em Chucumbane. Embora tão novo, ele era um cristão maduro. O rapaz costumava confortar os pais quando sabia que eles choravam e aconselhava-os a que tivessem paz, como dizia Jesus em João 14:27, "Não se turbe o vosso coração." Ele orava assim: "Senhor, se quiseres curar-me segundo a tua vontade, eu hei de servir-Te. Mas se o tempo já chegou, seja feito segundo a Tua vontade."

Numa reunião em 1987, o Rev. Ló Mulate testificou: "Eu amo ao Senhor Jesus por causa da salvação que tenho... Uma segunda obra foi feita no meu coração por Deus.". A sua vila nativa, Bileni, foi devastada pela guerra e ele foi residir com seu filho, o Rev. Jonas Mulate, em Maputo.[3] Ló foi um homem fiel ao Senhor e o último dos presbíteros pioneiros a morrer.[4]

Paul S. Dayhoff



Citações:

1. E. M. Jones, Our Spoke in the Wheel: The Stirring History of IHM Missionary Work in South Africa, (1924),52.
2. Relatório escrito à mão por Reginald Jones, Manzini Mission Archives (Arquivos da Missão em Manzini). Vicente Mbanze, carta, (Maputo, 13 de abril de 1995).
3. Relatório de Elifaz Mateus Mazimba, Mutwalisi (O Arauto), revista na língua Tsonga da Igreja do Nazareno em Moçambique e África do Sul, (Florida, Transvaal, África do Sul: Nazarene Publishing House, Agosto de 1982), 9. Luti Mulate, "Testimony" ("Testemunho"), Mutwalisi, (dezembro de 1987), 10.
4. Vicente J. Mbanze, carta, (30 de Janeiro de 1997).



Este artigo é reproduzido, com permissão do livro Living Stones In Africa: Pioneers of the Church of the Nazarene, edição revisada, direitos do autor © 1999, por Paul S. Dayhoff. Todos os direitos reservados.

Este artigo foi traduzido da língua inglesa pelo Rev. Roy Henck, missionário reformado para Cabo Verde, e pelo Rev. António Barbosa Vasconcelos, pastor cabo-verdiano.




Luti Mulate