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Crowther, Samwel Ajayi
c. 1808 a 1891
Igreja Anglicana
Nigéria

O Bispo Samwel Ajayi Crowther foi o primeiro bispo africano na Igreja Anglicana. A sua nomeação foi uma parte do movimento criar uma missão africana indígena. Entretanto, o movimento falhou devido à resistência na parte dos missionários britânicos. Eles não gostavam do conceito da missão sendo dirigido por um africano.

Crowther foi um jovem ioruba quando foi raptado por traficantes em escravos durante as guerras civis que devastaram o país de Nigéria durante a década de 1820. Ele foi vendido pelos traficantes aos comerciantes portugueses, mas no alto mar, ele foi libertado quando um cruzador da marinha britânica que estava a fazer patrulhas contra navios carregando escravos . Crowther foi libertado na cidade de Freetown, Serra Leoa onde ele começou a estudar numa escola sob a direção da Sociedade Missionária da Igreja. Foi batizado como cristão e assumiu o nome, Samwel (Samuel) Crowther.

Crowther foi enviado para Inglaterra para completar um ano de estudos, e depois regressou e ficou o primeiro africano para graduar do novo colégio, Instituto da Baía de Fora. Ele foi o primeiro africano que graduou do Instituto. Depois de completar os estudos, Crowther continuou no Instituto servindo como um professor e aí ficou um evangelista antes do regresso a Inglaterra. Na Inglaterra, ele for ordenado padre na Igreja Anglicana em 1841. Na Inglaterra ele casou-se com uma senhora que ele encontrou no navio e que se batizou com o nome de Susana. Mais tarde, um dos filhos ficou arquidiácono da Missão Delta que o seu pai fundou.

Crowther foi o candidato ideal para o propósito ca Sociedade Missionário da Igreja que era fundar uma Igreja indígena. Inteligente e confiável, um homem de alta devoção com uma voz sossegada, ele era da época vitoriana no seu comportamento, mas foi africano na sua visão. O secretário progressivo da Sociedade da Missão da Igreja, o Henry Venn, ajudou e aconselhou ao Crowther e compartilhou-lhe a sua visão de uma igreja africana “independente de apoio e superintendência estrangeira.” Em 1843, o Crowther foi colocado na vila de Abeokuta, Nigéria para servir como pastor. Num momento muito emocionante, ele encontrou e reconheceu a sua mãe. Em 1848 e batizou a mãe dele.

O Crowther acreditou que a fé cristã e comércio eram inseparáveis. Em 1854 e 1857 ele acompanhou o William Baikie numa expedição subindo o Rio Níger e escreveu dois relatórios das viagens.

Ele lembrou-se da sua meninice entre o povo iorubá e ele pregou na língua Iorubá. Ele traduziu o Novo Testamento e o Livro de Oração Comum na língua iorubá. Também publicou um pequeno dicionário da língua em 1857. O Crowther conseguiu esquecer a sua humildade natural; foi visto entrando nas palhotas sagradas para destruir os deuses iorubás. Em 1857 ele foi feito chefe da Missão de Níger. O trabalho desenvolveu-se e planos foram feitos para estabelecer a primeira diocese africana, e Crowther foi a única pessoa qualificada para a dirigir. Em 1864, o Crowther foi consagrado com o título “Bispo para África Ocidental além da Jurisdição Britânica”. Também foi concedido um doutorado honorário da Universidade de Oxford.

A Missão de Níger teve problemas graves. A posição do Crowther não foi bem definida, e também enfrentou muita oposição tanto dos anglicanos residentes como dos africanos. Pior, a pessoal que veio de Serra Leoa para trabalhar com Crowther não foram treinados adequadamente, não conheciam as línguas locais, e não adaptaram bem ao clima. Mesmo com estes problemas, a missão avançou em dentro de poucos anos havia 600 cristãos com 10 sacerdotes e 14 catequistas.

Na clima contemporânea de darwinismo social – a doutrina que apresentou uma base científica pelas diferencias entre as raças e propôs a superioridade dos brancos – muitos europeus creram na obrigação moral dos ditos “raças avançadas” para governar aqueles julgados “menos desenvolvidos”. Eles usaram esta teoria como justificação intelectual do colonialismo. Elementos jovens e liberais na Sociedade Missionária da Igreja desfez a política do Venn para a africanização da igreja. O Crowther também sentiu a pressão dos oponentes de uma igreja africana. O Senhor George Goldie, um oficial colonial do governo britânico, desejava missionários que avançavam os desenhos coloniais do governo britânico. A nova geração de missionários britânicos, comprometidos fortemente ao dever cristão avançar o colonialismo, recusaram trabalhar sob um bispo africano. Por isso, o Crowther não teve opção exceto aceitar um sócio europeu que teve controlo das finanças. Porque o estabelecimento de uma dotação pela Missão de Níger foi a chave pela sua independência futura, o prestígio e a autoridade do Crowther sofreu muito.

O Crowther foi humilhado em várias maneiras. O seu barco missionário, o Henry Venn, foi tirado dele e transformado num barco de negócio. Isso fez o Crowther dependente nos comerciantes para o seu transporte para o interior. Acusações anônimas e sem provas foram feitas à Sociedade Missionária da Igreja sobre a gestão da missão, e as leis da Igreja Anglicana foram ignoradas na conduta da investigação. O Crowther não viu o relatório nem teve a oportunidade responder-lhe. Em fim, o comitê financeiro reuniu-se e suspendeu os sacerdotes nigerianos ordenados por Crowther. O bispo, com mais que 80 anos de idade, entregou a sua resignação em protesto. A humilhação do Crowther foi um evento critico que bloqueou o controle africano e produziu uma igreja estrangeira. Ao mesmo tempo, este evento abriu o caminho pelo estabelecimento de novas igrejas africanas livre do controle europeu.

O Crowther foi a vítima das duas políticas de colonialismo e zelo missionário ocidental, ambas fundamentadas por racismo. Entretanto, nenhuma acusação foi feito contra o Crowther pessoalmente, mesmo sendo o alvo óbvio. Nenhuns dos historiadores da igreja revelaram as acusações exatas, e a sua natureza racista não foi discutida abertamente até muitos anos mais tarde.

Norbert C. Brockman


Bibliografia

Lipschutz, Mark R., and R. Kent Rasmussen. Dictionary of African Historical Biography. 2nd edition. Berkeley: University of California Press, 1986.

Dictionary of National Biography. London: Oxford University Press, 27 volumes, 1921-1959.

The New Encyclopedia Britannica. 15th edition. Chicago, IL, 1988.

Ewechue, Ralph (ed.). Makers of Modern Africa. 2nd edition. London: Africa Books, 1991.

Rogers, J. A. World's Great Men of Color. New York: Macmillan, 2 volumes, 1974.

Fontes adicionais: Ayaji, Jacob F. A. Christian Missions in Nigeria, 1841-1891 (1965).

Este artigo é reproduzido, com permissão, da An African Biographical Dictionary, direitos autorais © 1994, editado por Norbert C. Brockman, Santa Barbara, California. Todos os direitos reservados.