português
inglês
francês
suaíli
introdução
visão
notícia
índice
sujeitos potenciais
bibliografia
subsídios
escritórios
escreva-nos


Balfour, Noyi
1783 a 1873
Protestante
África do Sul



Noyi Balfour (cerca de 1783-1873), foi um dos primeiros convertidos do povo Xhosa e foi o fundador da Estação Missionária de Lovedale na zona de Transkei. Também, foi um membro da equipa que traduziu o Novo Testamento na língua Xhosa em 1834.

A história da vida do Balfour está ligada intimamente com a vida do Ntsikana, o profeta e teólogo do povo Xhosa. O Noyi foi um dos primeiros sete convertidos do Ntsikana. Ele foi nomeado como sucessor do Ntsikana, e o grupo de convertidos foi confiado aos cuidados dele. Ntsikana aconselhou-o levar os convertidos, depois da sua própria morte, para a missão de Gwali, estabelecida pelo missionário Brownlee em 1819-20. Foi isso que ele fez. Enquanto ele estava a visitar a Cidade de Cabo em 1824, o Noyi foi batizado e dado o nome “Robert Balfour,” em honra do eminente Dr. Balfour da cidade de Glasgow, na Escócia.

O Noyi foi o filho do Goiniswa, e foi um descendente direto do Ngconde, um antigo rei do povo Xhosa. O avô dele, o Gando-we-ntshaba, como os outros da sua família, tinha sido despojado dos seus títulos e foi mandado embora do seu lar real. Ele, junto com o seu povo, viajara para o oeste, atravessando os rios Bashee, o Kei Grande, e o Peixe Grande, até eles estabeleceram-se na zona da “Zuurveld,” a área agora conhecida como as terras médias da Província do Cabo Ocidental. Pelo tempo do nascimento do Noyi, esta área foi ocupado pelo povo Xhosa (isto é, pelo povo Ntinde, Gwali and Rarabe), assim como o povo Khoi Khoi, e os pioneiros dos colonos dos Bóeres, que deixaram a sua aldeia na beira da Baía da Mesa procurando mais espaço e mais terra para o seu gado. Estes três grupos de pessoas viviam juntos em paz por mais que 50 anos. Intercâmbio e casamentos entre os grupos foram bastante comuns. Segundo o relatório do T. B. Soga: “Eles constituíram uma massa indistinguível de pessoas de pele clara.” [As pessoas que eram do povo Xhosa sabiam isso somente através dos nomes das suas clãs.]

Por 1812, a tropa britânica tinha despojado o povo Xhosa das suas terras entre a vila de Grahamstown e Algoa Bay, e tinha empurrado a gente para leste, para uma área na região do Rio Keiskamma. Isso foi um período de grande inquietação entre o povo, que resistiu a perda da sua terra e manado. O Makhanda, o chefe militar do povo Xhosa, também conhecido como Nxele, inspirou o povo para resistir os ataques, e a resposta a sua chamada foi grande. Antes da sua “Visão em 1814”, o Ntsikana, o profeta, respondera positivamente à chamada do Makhanda. Mais tarde ele falou numa maneira diferente, e o Noyi foi um dos primeiros que respondeu.

Em 1816 o Rev. John Williams (Veldyam) chegou na Sihota, na beira do Rio Kat, para estabelecer a primeira missão entre o povo Xhosa. Junto com ele foi o Jan Tshatsu, que tinha estado numa escola missionária na vila de Bethelsdorp. O Noyi visitou-o à Sihota, e ele e os seus companheiros assistiram o culto de oração realizado pelo Williams. "Foi durante este culto de oração," ele é relatado para ter dito, que "Eu me senti uma coisa estranha dento de mim. Chorei como uma criança e desmaiei. Ao ganhar a consciência, eu perguntei ao missionário, 'Que é isso? O que está a acontecer comigo?' A resposta dele: 'É o Espírito de Deus que entrou na sua alma.'" Depois disso, o Noyi foi um visitante frequente à Sihota. Foi durante estas visitas que a sua esposa, a Nobuyiswa, filha do Ntshanga da clã Ntinde, sua irmã e o marido dela, e outros foram convertidos à fé cristã. Ao começo havia só sete deles.

Então o Noyi foi ter com o Ngqika, o rei da clã dos Rarabe, para lhe dizer o que acontecera a ele e rogá-lo aceitar a mensagem do Ntsikana. O Ngqika respondeu que o Ntsikana próprio já veio ter com ele com esta nova mensagem e que ele (o Ngqika) já aceitou completamente a mensagem. Honrando a sua palavra, o Ngqika de vez em quando assistiu aos cultos de oração do Ntsikana, e trouxe as suas mulheres com ele.

O John Williams morreu em 1818. Os crentes que estavam na missão desejavam ficar aí mesmo depois da morte do Williams; mas a tropa colonial mandou-os transferir-se para a vale de Tyhumie onde os britânicos colocaram o Ngqika e o povo dele. Umas pessoas deixaram a Sihota, mas o Noyi e poucos outros ficaram até a tropa colonial voltou para os remover. Primeiro eles ficaram na Gqora, e depois transferiram-se para a aldeia de Thwathwa perto das montanhas de Mankazana. Isso foi uma jornada muito difícil. O país ainda estava em inquietação depois da Guerra de amaLinda; eles não foram bem vindos entre o povo, e em cima de tudo, o Ntsikana, o dirigente deles, estava doente. Mas no caminho, em cada lugar onde pararam pela noite, eles realizavam um culto de oração antes de dormir. E cada manhã antes de continuar a viagem, oraram de novo.

Na Thwathwa, o Ntsikana nomeou o Noyi para o suceder, e exortou-o levar o grupo de seguidores para a Estação da Missão Gwali depois dele morrer, porque apenas ali seriam seguros. O Ntsikana morreu em 1821. O Noyi pregou o sermão ao funeral dele. Depois de um tempo de luto, o Noyi guiou os seguidores do Ntsikana para Gwali, a missão estabelecida pelo Rev. Brownlee em 1819-20.

Na Missão de Gwali, o Noyi serviu como interprete e catequista. Quando o Rev. Brownlee visitou a corte do Hintsa, rei do povo Xhosa, ele levou o Noyi e uns outros com ele. O Noyi e um colega, o Matshaya, então procederam ao corte do Ngubengcuka, rei do povo Thembu, para pregar a Palavra enquanto o Brownlee regressou à Gwali. Em 1821, o Brownlee recebeu na Gwali os Revs. Bennie e Thompson. O Bennie começou a trabalhar numa ortografia para lingual Xhosa com o Noyi servindo como o seu assistente. Em 1822, os dois viajaram para a vila de Somerset East, uns 115 quilómetros ao noroeste da vila de Grahamstown, para imprimir os primeiros livros na língua Xhosa. Em 1824, o Noyi acompanhou a Sra. Brownlee para a Cidade de Cabo onde ele foi apresentado aos missionários como un dos primeiros convertidos do Ntsikana. Para se convencer, eles pediram que o Noyi pregasse, que ele fez.

Cerca de 1826, o Ngqika foi para a Gwali para designer os missionários às várias estações. O Rev. Bennie foi enviado para o povo do Nqueno, os amaMbalu na vila de Ncera. O Noyi ( agora chamado Balfour) foi enviado aí para o ajudar. A nova missão foi chamado “Lovedale”, em honra do Dr. Love, Secretário do Comité de Missões Estrangeiras da Igreja Livre de Escócia. Na Ncera, os Revs. Bennie e Balfour começaram a tradução do Novo Testamento na língua Xhosa. Em 1834, mais uma vez foram para a Somerset East para imprimir o Novo Testamento na língua Xhosa.

Ao regressar à missão, descobriram que toda a missão foi queimada durante a guerra de Hintsa. Precisaram de procurar um novo sítio. O Noyi foi ter com o Tyhali, regente do povo Xhosa, para pedir um novo sítio. Ele foi dado cerca de 3000 hectares ao oeste do Rio Tyhumie onde eles puderam construir uma nova missão e uma escola onde os seus filhos e filhas recebessem instrução, um lugar que seria a sua herança até ao fim do tempo. E foi assim que a Lovedale foi colocado no seu sítio presente, onde muitos estudantes – Africanos, Mistos, Indianos e Europeus de África do Sul e dos lugares mais além das fronteiras já receberam a sua educação.

Phyllis Ntantala

Bibliografia

Sangani Makhaphela Balfour, uBawo, uNoyi [Meu Pai], Robert Balfour, Family Notes, 1900.

John Knox Bokwe, Ntsikama: The Story of an African Prophet, Lovedale, 1914.

W.B. Rubusana, Zemk' iinkomo maGwalandini, [Ai Vai a Vossa Herança, Vos Covardes!], 2nd ed., London, 1911.

T.B. Soga, Intlalo kaXhosa [Costumes do Povo Xhosa], Lovedale, 1936. pp. 16-17.


Este artigo foi copiado da The Encyclopaedia Africana Dictionary of African Biography (em 20 volumes). Volume Three: South Africa- Botswana-Lesotho-Swaziland. Ed. Keith Irvine. Algonac, Michigan: Reference Publications Inc., 1995. Todos os direitos reservados.