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Livingstone, David
n.1813 f.1873
Congregacional
África do Sul / Botsuana / Zâmbia / Tanzânia / Malaui / Angola / Moçambique

Dr. David Livingstone, o mais famoso explorador escocês, que expôs a África à Europa do século XIX, também foi missionário e introdutor do cristianismo moderno na África.

Livingstone cresceu na pobreza; a família de nove membros vivia num único cômodo nas dependências de um cotonifício em Lanarkshire. Trabalhava 14 horas diárias e freqüentava a escola noturna e enquanto se preparava, economizou tudo que pôde. Em 1836 conseguiu estudar medicina e teologia na Universidade de Glasgow ao mesmo tempo em que trabalhava em período parcial como fiador de algodão. Em 1838 foi para Londres e se ofereceu como missionário médico na Sociedade Missionária de Londres (SML), instituição que escolheu por não ter um caráter sectário. Livingstone foi um cristão evangélico devoto, e a sua conversão aconteceu quando percebeu que a fé a ciência não eram incompatíveis.

Em Londres completou sua residência e através da SML conheceu o missionário sul africano Robert Moffat que o atraiu para a África. Em 1840 recebeu sua licença médica, foi ordenado pastor e navegou para a Cidade do Cabo. Sua primeira designação foi para Bachuanaland (atual Botsuana), com a missão de fundar um centro missionário ao norte do lugar de Moffat. Assim começou o que se tornaria o padrão da sua prática. Viajou para o interior e viveu com pessoas nativas até aprender a língua deles, pregando e estudando botânica e história natural da região. Em 1844 foi seriamente atacado e ferido por um leão, de tal modo que teve que disparar seu rifle contra o mesmo.

Entre uma viagem e outra fez sua missão: construiu uma capela, montou uma imprensa, pregou e curou. Em 1845 casou-se com Maria Moffat, a filha mais velha de Robert, e começou uma família ao mesmo tempo em que viajava montando novos centros missionários. A Sociedade Geográfica Real (SGR) deu-lhe um prêmio e uma medalha de ouro pela sua descoberta do Lago Ngami no deserto de Kalahari em 1848. Em 1851 chegou até o Rio Zambezi. Ao retornar da viagem ao centro missionário, no entanto, encontrou sua casa e o centro de missão, destruídos e queimados pelos Afrikaners, os quais estavam ressentidos pela sua oposição constante ao tráfico de escravos. Em 1852, Mary e seus quatro filhos foram para a Grã-Bretanha como medida de segurança.

Com a partida de sua família, Livingstone aproveitou para fazer uma série de longas viagens exploratórias, sem precedentes, que duraram pelo resto de sua vida. Sua determinação era muito clara: "Abrirei uma trilha ao interior ou perecerei," ele disse. Livingstone estava convencido de que o cristianismo, o comércio e a civilização libertariam a África do escravismo e da barbárie. Ele tinha esperança de encontrar uma rota até o Oceano Atlântico, que legitimasse o comércio e dificultasse o comércio de escravos, ao mesmo tempo em que abrisse portas para o trabalho missionário. Em 1852, viajou para o norte de Zambezi até Luanda, na Angola. Ao retornar ele seguiu o curso do Rio Zambezi ao Oceano Índico e encontrou pelo caminho as quedas fantásticas, chamadas pelos africanos de Mosi-ao-Tunya ("a fumaça que troveja"), as quais Livingstone chamou de Rainha Victoria. Em 1856 voltou para a Inglaterra como um herói nacional e fez uma turnê de seis meses palestrando e preparando o livro "Viagens Missionárias e Pesquisas na África do Sul" (1857), o que lhe deu independência financeira, permitindo-lhe manter sua família e renunciar seu vínculo com a SML. A Inglaterra estava profundamente afetada por um avivamento cristão nessa época. Uma série de palestras de Livingstone, dadas na Universidade de Cambridge incendiou o entusiasmo dos jovens, os quais fundaram a Missão das Universidades para a África Central (MUAC) em 1860.

David Livingstone retornou a Moçambique como cônsul britânico em Quelimane, com a missão de explorar para: "a promoção do comércio e da civilização com o propósito da extinção do comércio de escravos". As expedições de 1858 e 1863 foram equipadas com navios a vapor de roda de pá, cada navio era tripulado por seis europeus e dez africanos. Nada saiu como planejado; as embarcações não eram adequadas para navegar pelo Zambezi (foram usadas três), o seu caráter temperamental causou discórdia e para piorar a situação a sua esposa Mary faleceu de febre em 1862, três meses depois de acompanhá-lo. Os britânicos cancelaram as expedições e assim mesmo Livingstone navegou no último vapor, o qual era inadequado para navegação em alto mar, até Bumbai, na Índia, para colocar a embarcação a venda. Apesar do sentimento de fracasso, a segunda expedição provou ser a mais frutífera das expedições de Livingstone. Ele descobriu o Rio Shire e o Lago Nyasa e expôs o comércio árabe de escravos ao longo do lago especialmente em Nkhota Kota.

Em 1865, de volta a Inglaterra, Livingstone publicou: "Narrativas de uma expedição ao Zambezi" e a SGR comprometeu-se a custear a sua próxima expedição para encontrar a nascente do Rio Nilo. Ele foi interior adentro e descobriu o Lago Mweri e o Lago Bagweulu na atual Zâmbia. Ele chegou até Ujiji no Lago Tanganika depois de muitas dificuldades, incluindo ataques Ngoni e deserção entre seus ajudantes. Para evitar castigo após seu retorno, os desertores espalharam rumores falsos de que Livingstone tinha sido morto pelos Ngoni. Assim mesmo, o intrépido Livingstone continuou, até que chegou ao Rio Congo. O ponto mais ocidental alcançado por um explorador europeu. A esta altura, após cinco anos, o mundo considerava Livingstone perdido, e o "London Telegraph" e o "New York Herald Tribune", perceberam que esta seria uma causa popular e enviaram o jornalista sensacionalista, Henry Morton STANLEY para procurá-lo. De acordo com a lenda ele o conheceu num encontro dramático, tirou o chapéu e dirigiu-se ao único homem branco num raio de mil quilômetros com as palavras: "Presumo que é o Dr. Livingstone".

Stanley reabasteceu a expedição de Livingstone de provisões, e viajou com ele pelo lago Tanganyika, mas este, doente e enfraquecido, recusou deixar a África com ele. Em 1873 os seus empregados encontraram-no morto. Embalsamaram o corpo e o carregaram por terra até o Oceano Índico, uma jornada de nove meses. Ele foi enterrado na Abadia de Westminster num solene funeral nacional. Os feitos de Livingstone foram notáveis. Suas descobertas: geográficas, botânicas, médicas e sociais foram de grande projeção. No entanto, o mais significativo foi o fato de que suas explorações o tornaram um precursor do imperialismo ocidental.

Norbert C. Brockman


Bibliografia:

Lipschutz, Mark R., e R. Kent Rasmussen. Dictionary of African Historical Biography. Segunda edição. Berkeley: Editora da Universidade da Califórnia, 1986.
Dictionary of National Biography. Londres: Editora da Universidade de Oxford, 27 volumes, 1921-1959.
The New Encyclopedia Britannica. Décima quinta edição. Chicago, IL, 1988.
Encyclopedia of World Biography. Palatine, IL: Heraty, 17 volumes, 1973-1992.

Leituras adicionais: Humble, Richard. The Travels of Livingstone (1991) [jovem]; Murray-Brown, Jeremy. Faith and the Flag (1977); Seaver, George. David Livingstone (1957).

Esse artigo foi reproduzido coma permissão de: An African Biographical Dictionary, copyright © 1994, editado por Norbert C. Brockman, Santa Barbara, Califórnia. Todos os direitos são reservados.



David Livingstone


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