Zita, Augusta Maria
Augusta Maria Zita (1981 – 2025), também conhecida como mamã Augusta, nasceu no dia 15 de Janeiro de 1981, em Candingo, Município do Cuchi, na então Província do Cuando Cubango, em Angola. Foi filha de Agostinho Keke e de Amélia Wegile, uma família do grupo etnolinguístico Cokue de origem bantu. Cresceu em um lar simples, cercada de valores sólidos de fé, trabalho e respeito, fundamentos que moldaram a mulher dedicada, fiel e temente a Deus que viria a ser ao longo de toda a sua vida.
Aos 14 anos de idade, em 1995, recebeu Cristo como Senhor e Salvador, e foi baptizada em Dezembro de 1997, aos 16 anos de idade, pelo Pastor Filipe Samba, na Igreja Evangélica do Tomás, em Menongue. A sua conversão marcou o início de uma caminhada espiritual firme, de fé activa e devoção sincera, que a acompanharia até aos seus últimos dias. A partir daquele momento, Augusta dedicou-se inteiramente ao serviço da igreja e à vivência dos princípios cristãos, tornando-se uma referência de piedade e compromisso para todos os que a rodeavam.
No dia 17 de Setembro de 1997, contraiu matrimónio com o Pastor João Elias, em Candingo, iniciando uma união sólida, sustentada pelo amor, respeito e fé. Dessa aliança nasceram sete filhos, nomeadamente da primogénita à última: Margarida Uchine João Elias Buila, Adelaide Ana João Elias, Princesa da Graça Agostinho Elias, Domingas Neusa Agostinho Elias, Bernardo João Agostinho Elias, Melquisedeque Agostinho Elias e Chimalia Agostinho João Elias. O casal foi ainda abençoado com quatro netos: Marclénio Marcelino Jorge, Zimário Elias Sérgio, Teresa Marcelino Jorge e Elísio Elias Sérgio, que se tornaram fonte de imenso orgulho e alegria.
Mamã Augusta foi esposa exemplar, mãe amorosa e avó dedicada. Firmou-se incansavelmente à educação cristã dos filhos, ensinando-lhes o valor da oração, da honestidade e da obediência à Palavra de Deus. Transformou o lar em um verdadeiro altar de fé e acolhimento, onde cada refeição, cada conversa e cada oração reflectiam o amor e a presença de Deus. Viveu com a firme convicção de que o lar é o primeiro ministério de uma mulher de Deus. Foi companheira leal e constante do Pastor João Elias, sustentando o seu ministério com amor, oração e presença activa. Ajudava nas decisões pastorais, nas viagens missionárias, na gestão do lar e nas actividades eclesiásticas. A relação entre ambos era marcada por respeito mútuo, fé compartilhada e um profundo compromisso com o Reino de Deus. Com as esposas de pastores, destacou-se como irmã, conselheira e exemplo.
Com espírito determinado e vontade de crescer, Augusta iniciou os estudos primários em 2001, na Escola Primária do Bairro Tomás, concluindo-os em 2008. Entre 2010 e 2012, ingressou ao primeiro ciclo, terminando a 7ª classe. Mesmo adulta, nunca deixou de valorizar o aprendizado, vendo na educação um meio de melhor servir a Deus e ao próximo. Além da formação escolar, frequentou cursos profissionais de Empreendedorismo e Pastelaria, formações que lhe permitiram contribuir para o sustento da família e apoiar iniciativas comunitárias e eclesiásticas, especialmente em momentos de necessidade.
Em 2003, ao lado de seu esposo, sentiu o chamado divino para o ministério pastoral, um marco que transformou profundamente a sua caminhada de fé. Com humildade e firmeza, matriculou-se no Instituto Bíblico de Menongue (IBM), onde concluiu o curso de Discipulado, e, em 2004, ingressou na formação de obreiros. Essa formação aprofundou seus conhecimentos bíblicos e fortaleceu sua vocação para servir com amor, discernimento e constância. O Instituto Bíblico de Menongue, fundado em 1978 pelos missionários que regressaram a Angola após o período conturbado da independência, foi desde sempre um pilar na formação de quadros para a União de Igrejas Evangélicas de Angola (UIEA), e Augusta honrou essa tradição formativa ao dedicar-se com afinco aos estudos teológicos ali ministrados.
Desde os primeiros anos após a conversão, Augusta dedicou-se intensamente à obra do Senhor em diversas funções e congregações. Entre 1997 e 2002, serviu como ensaiadora do grupo coral da Igreja Evangélica de Calupassa, filial da Igreja do Tomás, em Menongue. Durante esse período, demonstrou grande habilidade em conduzir e inspirar o grupo, unindo vozes e corações em louvor sincero. A música era para ela não apenas expressão artística, mas um instrumento de adoração e edificação espiritual.
De 2003 a 2006, exerceu o cargo de tesoureira da Sociedade de Senhoras da Igreja Evangélica do Tomás, onde se destacou pela honestidade, zelo e responsabilidade. Administrou recursos com transparência e dedicação, promovendo a prosperidade espiritual e material do Departamento. A sua integridade na gestão dos recursos era reconhecida por todos os que com ela trabalhavam.
No dia 20 de Julho de 2008, foi empossada como obreira na Região Norte da União de Igrejas Evangélicas de Angola, servindo na Igreja Evangélica de Malanje por aproximadamente catorze anos. Este foi um período de profundo impacto ministerial. Em Malanje, actuou como conselheira do Departamento de Sociedade de Senhoras, orientando, acompanhando e fortalecendo mulheres na fé. Visitava famílias, cuidava dos enfermos, orientava jovens e apoiava os necessitados, sempre com a doçura e a firmeza que a caracterizavam. O seu ministério em Malanje foi marcado por uma entrega completa ao cuidado pastoral, exercido não como função institucional, mas como extensão natural do seu amor ao próximo.
No dia 14 de Junho de 2023, foi transferida e empossada na Igreja Evangélica de Viana, Luanda Sul, onde continuou a servir fielmente até o seu último dia de vida. Apesar do curto tempo de serviço em Luanda, apenas dois anos, deixou marcas profundas de amor, dedicação e testemunho cristão. Ao longo de todos esses anos de serviço, mamã Augusta compreendia o ministério não como título, mas como serviço. Para ela, ministrar era amar, cuidar, ouvir, visitar, interceder e sustentar.
Augusta Maria Zita serviu fielmente como obreira na União de Igrejas Evangélicas de Angola ao lado de seu esposo, o Reverendo João Elias. A sua contribuição para o desenvolvimento da igreja manifestou-se de forma concreta em diversas áreas. Incentivou e fortaleceu o trabalho de aconselhamento às senhoras da UIEA, tanto em Malanje como em Luanda Sul, exercendo um papel fundamental na orientação espiritual e emocional de mulheres que encontravam nela uma referência de sabedoria e compaixão. Para além do ministério de aconselhamento, impulsionou o acompanhamento evangelístico dos pontos de pregação da Catepa, Kizanga e Kalandula, contribuindo activamente para a expansão da mensagem do Evangelho nessas localidades. O seu empenho na evangelização e no acompanhamento das comunidades de fé demonstrava uma visão missionária que ia além das paredes do templo, levando a Palavra de Deus aos que mais necessitavam.
A sua vida ministerial foi marcada por muitos momentos de júbilo, celebrações, baptismos, casamentos e o crescimento da obra de Deus, mas também por desafios e provações. Enfrentou com coragem as lutas financeiras, as viagens longas e as dificuldades de saúde, sem jamais abater o espírito. Manteve-se firme, confiante e submissa à vontade divina, deixando o exemplo de perseverança em meio à adversidade.
Em 28 de Junho de 2025, Augusta começou a sentir sintomas de paludismo, sendo atendida no Centro Médico Católico, onde fez tratamento durante sete dias, apresentando melhoria temporária. Poucos dias depois, voltou a sentir fortes dores nos membros inferiores, que se agravavam a cada dia. Foi submetida a várias consultas sem diagnóstico conclusivo e, posteriormente, transferida para Menongue, onde recebeu tratamento caseiro e apresentou recuperação total após um mês e duas semanas. Contudo, ao retornar a Luanda completamente estável, no dia 4 de Setembro de 2025, duas semanas depois, voltou a sentir dores fortes e fraquezas, acompanhadas de cefaleias intensas. Após novos tratamentos, inclusive na Clínica Simão Clemente, o quadro não apresentou melhoria. Sob cuidados e orações constantes, o seu estado de saúde parecia estar a melhorar, ao ponto de ela mesma decidir ir ao encontro do seu esposo em Malanje no dia 5 de Outubro. Porém, no dia 8 de Outubro, o seu estado clínico mudou repentinamente, apresentando mudanças significativas na cor dos olhos e no tamanho do abdómen. Preocupado com a situação, o seu esposo procurou socorro por todos os meios, sem sucesso. Na madrugada de quinta-feira, 9 de Outubro de 2025, às 5h30, na cidade de Malanje, a serva do Senhor Augusta Maria Zita foi chamada à presença de Deus, encerrando com serenidade e fé a sua jornada terrena.
A partida de mamã Augusta deixou um vazio profundo e difícil de expressar em palavras. A sua ausência é sentida com dor sincera por todos aqueles que a amaram e conviveram com ela, sobretudo pelo seu esposo, Reverendo João Elias, seus filhos e netos, que nela encontravam não apenas uma figura materna e carinhosa, mas também um exemplo de fé, coragem e ternura.
Pedro Simão Miguel
Fontes:
João Elias. Esposo de Augusta Maria Zita e Reverendo na União de Igrejas Evangélicas de Angola. Entrevista telefónica, 10 de Outubro de 2025.
Margarida Uchine João Elias Buila. Filha de Augusta Maria Zita. Entrevista telefónica, 23 de Março de 2026.
Princesa da Graça Agostinho Elias. Filha de Augusta Maria Zita. Entrevista telefónica, 23 de Março de 2026.
Sérgio Joveta Buila. Genro de Augusta Maria Zita. Entrevista telefónica, 23 de Março de 2026.
Marcelino Armindo Fonseca. Genro de Augusta Maria Zita. Entrevista telefónica, 23 de Março de 2026.
Francisco Augusto Raimundo. Membro da União de Igrejas Evangélicas de Angola em Malanje. Entrevista telefónica, 9 de Outubro de 2025.
Autobiografia fúnebre de Augusta Maria Zita, redigida pela família e datada de 12 de Outubro de 2025, Luanda, Angola.
Biografia Resumido do autor: Pedro Simão Miguel é um pastor de União de Igrejas Evangélicas de Angola (UIEA) e um candidato de mestrado em teologia de ISTEL, Lubango, Angola.
Este artigo, recebido em Abril de 2026, foi escrito por Pedro Simão Miguel, pastor da denominação União de Igrejas Evangélicas de Angola (UIEA) em Angola e candidato ao grau de Mestre em Teologia pelo Instituto Superior de Teologia Evangélica do Lubango (Instituto Superior de Teologia Evangélica no Lubango, ISTEL) no Lubango, Angola.
